21/May/2026
O mercado brasileiro de algodão perdeu força nos últimos dias, pressionado pela queda das cotações internacionais e pela retração da demanda doméstica diante das dificuldades de repasse de custos aos produtos manufaturados. Apesar do movimento de correção, os preços ainda acumulam valorização na parcial de maio, sustentados pelo ritmo aquecido das exportações brasileiras e pela perspectiva de déficit global de oferta na safra 2026/27. O Indicador Cepea/Esalq, com pagamento em 8 dias, ainda acumula alta de 1,47% em maio. A retração das cotações externas reduziu o interesse comprador e levou parte dos agentes a aguardar novas definições do mercado antes de fechar negócios. No mercado físico brasileiro, parte dos vendedores passou a demonstrar maior flexibilidade nas negociações, enquanto outros mantiveram postura firme nos preços pedidos.
Do lado comprador, indústrias ofertaram valores menores para novas aquisições diante das dificuldades de comercialização e da limitação no repasse dos custos aos produtos manufaturados, contribuindo para o enfraquecimento das cotações internas. O mercado internacional segue atento às negociações envolvendo compras chinesas de produtos norte-americanos. O viés baixista também foi reforçado pelo relatório semanal de exportações dos Estados Unidos, que indicou desaceleração no ritmo dos embarques e menor capacidade dos compradores sustentarem aquisições em patamares elevados de preços. Mesmo com a recente correção, os preços internacionais seguem em níveis historicamente elevados. Na parcial de maio, a cotação interna do algodão permanece, em média, 3,5% acima da paridade de exportação.
A paridade de exportação na condição Free Alongside Ship (FAS) é de R$ 4,08 por libra-peso no Porto de Santos (SP) e de R$ 4,09 por libra-peso no Porto de Paranaguá, com base no Índice Cotlook A, referente à pluma posta no Extremo Oriente. Na Bolsa de Nova York, os contratos futuros seguem em movimento de realização de lucros e correção técnica. O vencimento julho está cotado a 81,97 centavos de dólar por libra-peso. A pressão adicional veio do mercado de energia, com o petróleo WTI em queda de 2,57%, a US$ 101,70 por barril, aumentando a competitividade das fibras sintéticas frente à pluma natural. O índice dólar também registrava leve alta de 0,09%, encarecendo a commodity para compradores externos. Nos últimos sete dias, os contratos futuros acumulam perdas relevantes.
O vencimento julho tem baixa de 4,64%; o outubro, -5%; o dezembro -3,91%; e o março de 2027 registra baixa de 3,81%. Os fundamentos de oferta nos Estados Unidos também seguem pressionando o mercado. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o plantio norte-americano alcançou 41% da área prevista até o dia 17 de maio, acima dos 38% registrados no mesmo período do ano passado e da média histórica de 40%. O avanço acelerado do plantio reforça a confiança na safra e reduz prêmios de risco nas cotações. Apesar da pressão de curto prazo, o cenário estrutural permanece de suporte ao mercado global. As primeiras projeções do USDA para a safra 2026/27 indicam produção mundial de 25,266 milhões de toneladas, queda de 5,4% frente à temporada anterior.
O consumo global foi estimado em 26,495 milhões de toneladas, avanço de 1,3% e o maior volume em seis anos. O consumo projetado supera a oferta global em 4,86%. Para o Brasil, a projeção é de produção de 3,81 milhões de toneladas na safra 2026/27, recuo de 10,3% frente à temporada anterior, mas ainda representando o segundo maior volume da série histórica do USDA. O País deve permanecer como maior exportador global de algodão, com embarques estimados em 3,27 milhões de toneladas, novo recorde e alta de 2% na comparação anual. A participação brasileira nas exportações globais pode atingir 35%. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.