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28/May/2026

Preços do algodão sustentados pelas exportações

O mercado brasileiro de algodão passa por um movimento de ajuste após as recentes altas, com as exportações recordes sustentando os preços internos, enquanto a pressão vinda do mercado internacional limita avanços mais expressivos das cotações. O Indicador Cepea/Esalq-USP, com pagamento em 8 dias, acumula alta de 2,58% em maio. Os negócios domésticos seguem ocorrendo de forma pontual, em um ambiente de baixa liquidez e negociações seletivas. Compradores permanecem cautelosos diante das dificuldades de repasse de custos ao longo da cadeia têxtil, enquanto vendedores mantêm firmeza nas pedidas em razão do forte desempenho das exportações e da menor disponibilidade de pluma no mercado spot. Nesse cenário, a cotação interna do algodão chegou a operar cerca de 17,5% acima da paridade de exportação, refletindo a sustentação do mercado doméstico mesmo diante da fraqueza externa.

No mercado internacional, os contratos futuros recuaram após realização de lucros e melhora das perspectivas de oferta. A pressão externa está associada principalmente à queda do petróleo e ao fortalecimento do dólar, fatores que reduzem a competitividade do algodão frente às fibras sintéticas e diminuem o interesse comprador no mercado internacional. O avanço do plantio nos Estados Unidos também contribuiu para o ajuste das cotações. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicam que 41% da área prevista já havia sido semeada no país até o dia 24 de maio, acima dos 38% registrados no mesmo período do ano anterior e da média histórica de 40%. Apesar do movimento corretivo no exterior, o ritmo das exportações brasileiras segue como principal fator de sustentação do mercado doméstico.

Os embarques nacionais já superaram todo o volume exportado na safra anterior, alcançando mais de 2,9 milhões de toneladas na temporada 2025/26 até maio e aproximadamente 3,2 milhões de toneladas nos últimos 12 meses, recorde da série histórica. Esse forte fluxo de exportação mantém o escoamento da produção em ritmo elevado e reduz a disponibilidade interna da pluma. Diante desse cenário, a StoneX elevou sua projeção de exportações brasileiras de algodão para 3,3 milhões de toneladas na safra 2025/26, mesmo com produção menor, estimada em 3,858 milhões de toneladas. A competitividade do algodão brasileiro no mercado internacional e a demanda ainda consistente sustentam o fluxo exportador, apesar da recente volatilidade global. No curto prazo, o mercado internacional segue abastecido.

A retração das cotações externas está relacionada à desaceleração das vendas dos Estados Unidos e à maior dificuldade dos compradores em sustentar aquisições em patamares elevados de preços. Para a safra 2026/27, entretanto, as perspectivas apontam possível aperto na relação entre oferta e demanda global. Projeções do USDA indicam redução da produção mundial, enquanto o consumo tende a crescer, cenário que poderá reduzir os estoques globais e ampliar o suporte aos preços, especialmente caso ocorram problemas produtivos ou fortalecimento adicional da demanda asiática. Assim, o mercado de algodão deverá continuar influenciado, no curto prazo, pelo comportamento do petróleo, do câmbio e das condições climáticas nos Estados Unidos, enquanto o desempenho das exportações brasileiras e o equilíbrio global entre oferta e demanda deverão definir a sustentação dos preços ao longo do segundo semestre. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.