03/Jun/2026
Mesmo com oscilações ao longo do mês, a cotação do algodão em pluma subiu em maio pelo quarto mês consecutivo. A postura firme dos vendedores que ainda detêm lotes remanescentes da safra 2024/25, especialmente de qualidade superior, manteve os preços em alta no mês. Ao mesmo tempo, a cautela de compradores limita a liquidez do mercado, resultando em negociações pontuais e na disputa entre agentes quanto aos preços. Os produtores seguem atentos ao desenvolvimento da próxima temporada e continuam cumprindo os contratos a termo. Dessa forma, boa parte dos cotonicultores permanece capitalizada, o que contribui para o baixo interesse em novas negociações e para a sustentação das ofertas de venda. Além disso, o bom ritmo das exportações ajuda a escoar o excedente disponível. Do lado comprador, as indústrias seguem cautelosas e adquirem a fibra de forma pontual, especialmente devido às dificuldades em repassar os maiores custos da pluma aos produtos manufaturados.
Algumas empresas relatam que a matéria-prima já estocada e contratada é suficiente para atender à demanda atual, diante do desempenho ainda limitado das vendas. Há também relatos de redução da produção e de substituição parcial da pluma por outros insumos, inclusive fios. Nesse contexto, comerciantes buscam viabilizar negócios “casados”. O Indicador CEPEA/ESALQ do algodão em pluma (pagamento em 8 dias) avançou 3,31% de 30 de abril a 29 de maio, encerrando o período a R$ 4,27 por libra-peso, o maior valor nominal desde 16 de junho de 2025, quando atingiu R$ 4,36 por libra-peso. Considerando-se apenas os últimos sete dias, o Indicador registra alta de 1,47%, cotado a R$ 4,23 por libra-peso. A cotação interna ficou, em média, 5,4% acima da paridade de exportação em maio, o que marca o quinto mês consecutivo de vantagem para o mercado doméstico. A média mensal do Indicador CEPEA/ESALQ foi de R$ 4,22 por libra-peso em maio/26, avanço de 5,6% frente a abril.
Na comparação com maio do ano anterior, contudo, houve queda real de 5,49%, considerando-se os valores deflacionados pelo IGP-DI de abril/26. Em dólar, a média do Indicador foi de 84,44 centavos de dólar por libra-peso em maio, 3,7% acima do primeiro vencimento negociado na Bolsa de Nova York, de 81,46 centavos de dólar por libra-peso, mas ainda 8,4% abaixo da média de 92,15 centavos de dólar por libra-peso do Índice Cotlook A, referência internacional para a pluma posta no Extremo Oriente. Vale ressaltar que as médias da cotação interna e do Índice Cotlook A alcançaram os níveis nominais mais elevados desde março de 2024, enquanto a média do primeiro vencimento na Bolsa de Nova York foi a mais alta desde abril daquele mesmo ano. A paridade de exportação (FAS), recuou 2,17% entre 30 de abril e 29 de maio, para R$ 3,77 por libra-peso (74,76 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Santos (SP) e para R$ 3,78 por libra-peso (74,97 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Paranaguá (PR), com base no Índice Cotlook A, referente à pluma posta no Extremo Oriente.
Na Bolsa de Nova York, após as expressivas altas observadas nos meses anteriores, os primeiros contratos futuros voltaram a recuar em maio. Entre 30 de abril e 29 de maio, o contrato Julho/26 caiu 7,36%; o Outubro/26, 6,13%; o Dezembro/26, 8,86%; e o Março/27, 3,55%. Segundo dados do Comitê Consultivo Internacional do Algodão (Icac), divulgados em 1º de junho, a produção mundial de algodão na safra 2026/27 está estimada em 25,79 milhões de toneladas, volume 0,47% inferior ao projetado em maio e 2,21% abaixo da temporada anterior. A redução da demanda, os custos mais elevados e as condições climáticas adversas devem limitar a área cultivada mundial a 30,1 milhões de hectares, quedas de 0,22% frente à projeção do mês anterior e de 1% em relação à safra passada. A produtividade foi estimada em 856,6 kg/ha, 1,22% inferior à de 2025/26 e 0,25% abaixo da projeção divulgada em maio.
Para o Brasil, o Icac estima que a área cultivada com algodão deve recuar 6%, para 2 milhões de hectares, após quatro safras consecutivas de expansão, o que pode reduzir a produção em 10%, para 3,8 milhões de toneladas, também com ajustes negativos na produtividade. O consumo mundial é projetado em 25,278 milhões de toneladas, praticamente estável em relação ao mês anterior (+0,08%), mas com leve retração de 0,2% em relação à temporada 2025/26. Ainda assim, o volume permanece 1,97% abaixo da oferta global. As exportações globais são estimadas em 9,55 milhões de toneladas, com quedas de 0,43% no mês e de 1,35% na comparação anual. Já os estoques finais devem atingir 18,46 milhões de toneladas, altas de 2,83% frente ao mês anterior e de 2,82% em relação à safra passada. Quanto aos preços, o Icac manteve, em seu relatório de junho/26, a expectativa de média de 78,00 centavos de dólar por libra-peso para o Índice Cotlook A na safra 2025/26, com variação prevista entre 75,00 centavos de dólar por libra-peso e 80,00 centavos de dólar por libra-peso. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.