05/Jun/2026
O mercado de algodão continua sustentado no Brasil pelo ritmo forte de exportações e pela postura firme dos vendedores. A cotação da fibra, no entanto, encontra dificuldades no cenário externo, onde a valorização do dólar e o avanço da safra norte-americana limitam novas altas na Bolsa de Nova York. No mercado interno, o Indicador de preço do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), com pagamento em 8 dias, é sustentado pela postura firme dos vendedores que ainda detêm lotes remanescentes da safra 2024/25, enquanto o bom ritmo das exportações continua garantindo o escoamento da produção.
A liquidez continua limitada, com negociações pontuais e dificuldade de convergência entre compradores e vendedores. A cautela de compradores limita a liquidez do mercado, resultando em negociações pontuais e na disputa entre agentes quanto aos preços. Parte das indústrias segue abastecida e enfrenta dificuldade de repasse de custos, o que reduz a agressividade nas compras, mesmo diante de preços ainda sustentados. Esse ambiente é reforçado pelo desempenho externo do Brasil. O País mantém participação crescente no comércio global, sustentado por elevada disponibilidade e competitividade, cenário que tende a se prolongar.
O mercado tem mostrado resiliência mesmo após o fim do ciclo de altas mais intensas. Parou de subir, mas se manteve em patamares acima do que estava sendo registrado no pré-guerra no Oriente Médio. O petróleo é um dos principais vetores, ao influenciar a competitividade das fibras sintéticas, enquanto o clima nos Estados Unidos passa a ganhar peso na formação de preços. No mercado internacional, o viés recente é de acomodação. Além do câmbio, o avanço da safra norte-americana contribui para reduzir o prêmio de risco. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicam que o plantio atingiu 66% da área prevista até o dia 31 de maio, próximo da média histórica, enquanto o desenvolvimento inicial das lavouras segue dentro do padrão normal.
Esse ritmo mais regular diminui as preocupações com oferta no curto prazo e reforça o movimento de ajuste nas cotações. Do lado dos fundamentos globais, dados do Comitê Consultivo Internacional do Algodão (Icac) indicam leve recuo na produção mundial na safra 2026/27, com redução de área e produtividade em importantes origens. Para o Brasil, a expectativa é de queda de 6% na área cultivada e de 10% na produção, para 3,8 milhões de toneladas, após quatro safras consecutivas de expansão. O consumo global mostra recuperação limitada, mantendo o mercado próximo do equilíbrio e sem espaço para movimentos abruptos de alta no curto prazo.
O desempenho brasileiro na exportação é o principal vetor de sustentação das cotações domésticas. O acumulado de vendas externas nos últimos 12 meses já alcança 3,2 milhões de toneladas, novo recorde histórico, sustentado pela elevada disponibilidade de pluma e pela competitividade do produto nacional. O lado climático tende a ser observado no mercado de algodão, principalmente naquela região do Texas, que mostra uma área um pouco mais seca do que o cinturão agrícola de Illinois e Ohio. Para o algodão, o elemento de clima agora nos Estados Unidos é o fator que mais está direcionando o mercado, além do próprio petróleo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.