10/Jun/2026
A comercialização de algodão em pluma está em ritmo lento neste início de junho. Além das dificuldades enfrentadas por agentes para chegar a um consenso quanto aos preços e à qualidade dos lotes ofertados, o feriado de Corpus Christi no Brasil, no dia 4 de junho, afastou parte dos participantes do mercado, reduzindo ainda mais a liquidez. Além disso, a queda das cotações internacionais da pluma desestimula novas negociações tanto no mercado spot quanto para programações futuras. Assim, os vendedores permanecem concentrados no cumprimento dos contratos a termo, ao mesmo tempo em que monitoram o desenvolvimento das lavouras. No campo, dados recentes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram que, até o dia 5 de junho, 78,3% das lavouras da safra 2025/26 estão em maturação; 20,6%, em formação de maças; e 0,9% já foi colhido.
As lavouras de algodão apresentam, de modo geral, boas condições. Em Mato Grosso, principal Estado produtor, o desenvolvimento é satisfatório. Em Mato Grosso do Sul, os produtores seguem monitorando a disponibilidade hídrica nas áreas de cultivo. Do lado da demanda, as indústrias seguem adotando postura cautelosa nas novas aquisições. Com o ritmo mais fraco das vendas, as compras ocorrem apenas de forma pontual, já que os estoques e os volumes previamente contratados continuam atendendo às necessidades de abastecimento. O Indicador CEPEA/ESALQ do algodão em pluma (pagamento em 8 dias) registra recuo de 0,92% nos últimos sete dias, cotado a R$ 4,19 por libra-peso. No acumulado de junho, o Indicador registra baixa de 1,88%. Ainda assim, neste início de mês, a cotação interna está, em média, 10,1% acima da paridade de exportação
A paridade de exportação (FAS) é de R$ 3,87 por libra-peso (74,85 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Santos (SP) e de R$ 3,88 por libra-peso (75,05 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Paranaguá (PR), com base no Índice Cotlook A, referente à pluma posta no Extremo Oriente. Na Bolsa de Nova York, os primeiros contratos da ICE Futures, seguem em queda neste início de junho. Nos últimos sete dias, o contrato Julho/26 tem baixa de 4,24%; o Outubro/26, de 4,1%; o Dezembro/26, de 0,69%; e o Março/27, de 3,01%. Para as lavouras norte-americanas, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indica que 77% da área prevista para o algodão no país havia sido semeada até 7 de junho, avanço de 11% em relação à semana anterior. O ritmo está acima do observado no mesmo período de 2025 (75%) e em linha com a média das últimas cinco safras (77%).
De acordo com dados da Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBM), os contratos registrados até o dia 9 de junho, referentes à safra 2024/25, somavam 1,44 milhão de toneladas, o que representa 35% da produção nacional estimada pela Conab. Para a temporada 2025/26, o registro totaliza 924,3 mil toneladas, o que seria equivalente a 23% do total esperado pela Conab a ser colhido. Desse volume, 484,1 mil toneladas são destinadas ao mercado interno; 330 mil toneladas, para exportação; e 110,2 mil toneladas, para contratos flex. Para a safra 2026/27, pelo menos 244,5 mil toneladas já foram comercializadas e, para a 2027/28, 19,5 mil toneladas. Em Mato Grosso, dados divulgados pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) indicam que 71,86% da pluma da temporada 2025/26 foi comercializada, percentual superior ao do mesmo período do ano anterior (62,66%) e acima da média das últimas cinco safras (67,96%). Para a 2024/25, 95,44% da temporada atual já foi comercializada. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.