11/Jun/2026
O mercado brasileiro de algodão iniciou junho com enfraquecimento das cotações, refletindo a combinação de baixa liquidez, menor interesse comprador e influência do cenário internacional mais pressionado. Ao mesmo tempo, os contratos futuros negociados na Bolsa de Nova York apresentaram recuperação técnica após as perdas registradas na sessão anterior, embora continuem sensíveis à evolução da safra norte-americana. O Indicador Cepea/Esalq-USP, com pagamento em 8 dias, acumula queda de 2,10% em junho. O movimento sinaliza uma mudança em relação ao comportamento mais firme observado ao longo de maio. A comercialização permanece lenta no mercado interno. A menor liquidez é atribuída à combinação entre o recente feriado (04/06), a retração das cotações internacionais e a postura cautelosa das indústrias têxteis. Os compradores seguem relativamente abastecidos e enfrentam dificuldades para repassar custos ao longo da cadeia, reduzindo o interesse por novas aquisições.
Do lado da oferta, os vendedores permanecem concentrados no cumprimento de contratos previamente negociados. Apesar da pressão, o mercado doméstico continua encontrando suporte. Os preços internos operam, em média, 10,1% acima da paridade de exportação no início de junho. Esse diferencial reflete o bom desempenho das exportações brasileiras e a menor disponibilidade imediata de produto no mercado spot, limitando movimentos mais intensos de baixa. No cenário internacional, a pressão recente foi mais significativa. O contrato de dezembro na ICE Futures US encerrou o pregão anterior a 75,30 centavos de dólar por libra-peso, com queda de 2,98%, influenciado pelas boas condições das lavouras norte-americanas e pelo recuo dos preços do petróleo. Posteriormente, o mesmo vencimento apresentou recuperação para 75,91 centavos de dólar por libra-peso, em movimento de ajuste técnico. A evolução da safra dos Estados Unidos permanece como principal fator de formação dos preços.
Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicam que o plantio alcançou 77% da área prevista até o dia 7 de junho, em linha com a média histórica. Além disso, 53% das lavouras foram classificadas em condições boas ou excelentes, enquanto parte das áreas já apresenta desenvolvimento em ritmo superior ao padrão histórico. Esse cenário reduz os prêmios de risco climático e contribui para a pressão observada recentemente sobre as cotações. Aspectos macroeconômicos também seguem influenciando o mercado. A valorização do petróleo oferece suporte ao algodão ao elevar os custos das fibras sintéticas concorrentes, enquanto o enfraquecimento do dólar aumenta a competitividade da pluma norte-americana no comércio internacional. Nos fundamentos globais, o mercado convive com perspectivas distintas para diferentes horizontes. No curto prazo, a oferta mundial permanece confortável, sustentada pelo bom desenvolvimento das lavouras e pelo ritmo consistente de produção. Em contrapartida, as projeções para a safra 2026/27 indicam redução dos estoques globais, fator que tende a oferecer suporte às cotações em um horizonte mais longo.
Estimativas apontam queda dos estoques mundiais de 77,3 milhões para 71,8 milhões de fardos, movimento que pode contribuir para um equilíbrio mais apertado entre oferta e demanda. Ainda assim, a concorrência com as fibras sintéticas continua sendo um fator estrutural limitador para valorizações mais expressivas. No Brasil, a evolução da safra segue sendo monitorada pelo mercado. A maior parte das lavouras encontra-se em fase de maturação, com condições consideradas favoráveis. Entretanto, o comportamento climático durante a colheita poderá influenciar a qualidade da fibra e a disponibilidade efetiva da pluma nos próximos meses. Diante desse cenário, petróleo, câmbio e o desenvolvimento da safra norte-americana devem permanecer como os principais direcionadores dos preços no curto prazo. No médio prazo, a combinação entre redução dos estoques globais e forte participação brasileira nas exportações tende a oferecer sustentação ao mercado, embora ainda sem indicar espaço para movimentos mais intensos de valorização. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.