01/Jul/2026
A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) avaliou que o Plano Safra 2026/27 apresenta avanços pontuais, principalmente na redução das taxas de juros em linhas de custeio e investimento, mas não recompõe a inflação acumulada e amplia a dependência da cotonicultura em relação ao crédito privado. O volume total de R$ 525,1 bilhões destinado a médios e grandes produtores representa novo recorde nominal, porém com avanço de apenas R$ 9 bilhões, equivalente a cerca de 2% frente ao ciclo anterior, o que implica perda de valor real segundo a entidade. Do total anunciado, R$ 384,9 bilhões são destinados a custeio e comercialização, enquanto R$ 140,2 bilhões são voltados a investimentos em modernização, armazenagem, irrigação, inovação tecnológica, recuperação de áreas produtivas e aquisição de máquinas e equipamentos. A Abrapa também destaca a redução dos recursos equalizados, que contam com subvenção do Tesouro Nacional, passando de R$ 113,7 bilhões para R$ 97 bilhões, recuo próximo de 15%.
Nesse contexto, o financiamento da produção de algodão, atividade intensiva em capital, tem migrado de forma crescente para instrumentos de mercado, com maior uso de crédito privado e operações estruturadas via Cédulas de Produto Rural (CPRs), além de recursos captados por Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) e poupança rural. O Plano Safra passa a incorporar cerca de R$ 194 bilhões em operações vinculadas a CPRs, contratadas a taxas de mercado, o que reforça a maior participação do mercado financeiro na estrutura de financiamento do agronegócio. Apesar disso, a redução das taxas de juros em diferentes linhas é considerada um ponto positivo, com o custeio empresarial para grandes produtores passando de 14% para 12,5% ao ano e o Pronamp em 9% ao ano, além de ajustes em linhas de inovação, irrigação, armazenagem, máquinas e agricultura de baixo carbono. A avaliação do setor é de que, mesmo com os cortes de juros, o custo do crédito permanece elevado para uma cultura de alto investimento por hectare, exigindo maior planejamento financeiro.
Também é destacado o incentivo a práticas sustentáveis, com redução de até um ponto percentual nas taxas para produtores com Cadastro Ambiental Rural regular e adesão a programas de certificação como o Algodão Brasileiro Responsável (ABR). A ausência de definição imediata sobre renegociação de dívidas rurais é apontada como fator de incerteza, enquanto o tema segue em discussão entre governo e Congresso. No entendimento da entidade, a medida é relevante para produtores afetados por condições climáticas adversas, volatilidade de preços e restrições de crédito. No seguro rural, o setor defende modernização do marco legal e maior previsibilidade na subvenção ao prêmio. O acompanhamento do Projeto de Lei nº 2.951/2024, em tramitação no Senado, é considerado estratégico para ampliar a cobertura securitária e fortalecer a gestão de riscos, incluindo propostas de natureza não contingenciável para os recursos do seguro e possibilidade de uso de saldos do Proagro, sem prejuízo aos beneficiários. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.