02/Jul/2026
O Indicador de preço do algodão em pluma do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), com pagamento em 8 dias, registrou queda de 3,65% em junho. Após quatro meses consecutivos de valorização, as cotações perderam força no período, refletindo postura mais cautelosa dos compradores e o enfraquecimento dos preços internacionais. No mercado externo, os contratos futuros na Bolsa de Nova York iniciaram o segundo semestre com recuperação técnica, embora ainda sob influência de fatores baixistas. Entre eles estão a estimativa de área plantada acima do esperado nos Estados Unidos, a fraqueza dos preços domésticos no encerramento de junho e a demanda têxtil ainda limitada no Brasil.
No mercado interno, a demanda segue enfraquecida, com indústrias mantendo cautela nas compras diante das dificuldades de repasse de preços ao longo da cadeia. Parte do consumo tem sido atendida por estoques e contratos a termo, reduzindo a necessidade de aquisição no mercado spot. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam recuo nas vendas do varejo de tecidos, vestuário e calçados, com queda de 0,1% em abril ante março e de 2,5% na comparação com abril de 2025. No acumulado de 2026, a retração é de 1%. Mesmo com a queda das cotações, o preço interno permaneceu, em média, 7,7% acima da paridade de exportação em junho, configurando o sexto mês consecutivo de vantagem do mercado doméstico.
A paridade de exportação, na modalidade Free Alongside Ship (FAS), avançou 2,1% entre 29 de maio e 29 de junho, para R$ 3,85 por libra-peso no Porto de Santos (SP) e R$ 3,86 por libra-peso no Porto de Paranaguá (PR), influenciada pela valorização de 2,42% do dólar frente ao Real no período. Na Bolsa de Nova York, os contratos de algodão operam em alta, sustentando movimento de recuperação após perdas recentes. O movimento é apoiado pela piora das condições das lavouras norte-americanas, com 48% da safra classificada como boa ou excelente, queda semanal de 5% e abaixo dos 51% registrados no mesmo período do ano anterior. Apesar disso, o avanço das cotações encontra limite na estimativa de maior área plantada nos Estados Unidos, projetada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em 3,99 milhões de hectare, acima dos 3,90 milhões de hectares indicados em março.
O aumento da área reforça a expectativa de maior oferta e reduz o potencial de valorização. No cenário macroeconômico, a queda do petróleo tende a favorecer a competitividade das fibras sintéticas, enquanto a valorização do dólar reduz a atratividade das commodities norte-americanas no mercado internacional. No Brasil, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) avalia que as condições climáticas seguem favoráveis à produtividade e à qualidade da fibra, embora haja variações regionais no ritmo de colheita. O Bradesco mantém perspectiva positiva para a safra 2025/26, com chuvas adequadas em Mato Grosso e na Bahia e expectativa de margens sustentadas pela valorização recente dos preços, apesar de aumento estimado de 8% nos custos de produção.
Para 2026/27, o banco projeta possível retração de cerca de 4% na área plantada de algodão no Brasil, em função da elevação de custos estimada em torno de 6%, especialmente com fertilizantes e defensivos. Mesmo com a melhora na relação de troca com a queda da ureia, os preços da pluma ainda permanecem abaixo do nível considerado ideal para expansão de área. No cenário global, a avaliação é de que a safra 2026/27 pode apresentar saldo deficitário, com redução de produção em China, Brasil e Estados Unidos. A seca em regiões norte-americanas e possíveis impactos climáticos associados ao El Niño em países como Índia e Austrália podem contribuir para menor oferta, enquanto a demanda tende a permanecer relativamente estável, sustentando viés de suporte aos preços no médio prazo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.