03/Jul/2026
Segundo o Itaú BBA, a produção mundial de algodão deverá recuar cerca de 5% na safra 2026/27, totalizando 25,3 milhões de toneladas. A redução da oferta, associada à queda dos estoques globais, tende a fortalecer os preços internacionais da fibra ao longo do próximo ciclo. Os estoques mundiais diminuirão para um intervalo entre 15,5 milhões e 15,7 milhões de toneladas, reduzindo a relação estoque/uso para aproximadamente 58% a 59%, abaixo da média de 67% observada nas últimas quatro safras. O cenário indica maior equilíbrio entre oferta e demanda e menor disponibilidade de produto no mercado internacional. Entre os principais produtores mundiais, a produção deverá recuar em três dos quatro maiores países. Nos Estados Unidos, a colheita é estimada em aproximadamente 2,9 milhões de toneladas, retração de cerca de 4%, refletindo a redução da área plantada diante da melhor relação de troca de culturas concorrentes.
Na China, maior produtora mundial, a produção deverá alcançar cerca de 7,3 milhões de toneladas, queda próxima de 6%, em função da expectativa de menor produtividade. A Índia deverá ser a exceção entre os grandes produtores, com recuperação para aproximadamente 5,2 milhões de toneladas. Para o Brasil, o Itaú BBA projeta produção de aproximadamente 4 milhões de toneladas de algodão em 2026/27, redução de 2,4% em relação ao ciclo anterior, mantendo a área plantada próxima de 2,1 milhões de hectares. Mesmo com a menor produção, as exportações brasileiras deverão atingir 3,3 milhões de toneladas, novo recorde histórico e crescimento de 2,3% sobre a safra anterior, consolidando o País como maior exportador mundial da fibra. No mercado doméstico, o principal fator de risco para a próxima temporada permanece sendo o El Niño. Como o algodão é cultivado majoritariamente como 2ª safra no Centro-Oeste, especialmente em Mato Grosso, um eventual atraso na semeadura da soja poderá reduzir a janela ideal de plantio do algodão e aumentar a exposição das lavouras ao déficit hídrico durante a formação dos capulhos.
Os produtores que cultivam simultaneamente milho e algodão poderão priorizar o cereal na próxima temporada, favorecidos pela expansão da demanda das usinas de etanol de milho e pela maior liquidez do mercado. Apesar desse cenário, os resultados da colheita brasileira atualmente em andamento seguem indicando desempenho positivo. Em 2026/2027, o custo total da lavoura, incluindo o beneficiamento, deve alcançar cerca de R$ 13.171,00 por hectare no sudeste de Mato Grosso, alta de 4,7% frente à safra 2025/26. O avanço é impulsionado principalmente pelos fertilizantes, que representam aproximadamente 40% do custo operacional da cultura. Mesmo assim, a recuperação dos preços da fibra e o aumento da produtividade deverão elevar a margem agrícola para cerca de R$ 4.378,00 por hectare, crescimento de 18,6%, com rentabilidade estimada em aproximadamente 25%. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.