08/Jul/2026
O mercado brasileiro de algodão em pluma segue com baixa liquidez neste início de julho, refletindo o desacordo entre vendedores e compradores. Embora a postura firme de parte dos vendedores (especialmente dos mais capitalizados e que detêm lotes de melhor qualidade) tenha sustentado as cotações em alguns momentos, esse movimento perdeu força nos últimos dias, e os preços voltaram a ceder. Alguns vendedores, atentos ao enfraquecimento da paridade de exportação e buscando liquidar os estoques remanescentes da temporada 2024/25 para liberar espaço nos armazéns, passaram a demonstrar maior flexibilidade nas negociações no mercado spot. Ainda assim, os compradores que estão ativos continuaram a ofertar valores inferiores aos pedidos pelos vendedores. As aquisições da indústria permanecem pontuais, uma vez que a matéria-prima adquirida anteriormente, somada aos estoques disponíveis, tem sido suficiente para atender às necessidades de curto prazo.
Nesse contexto, o desempenho das vendas de produtos manufaturados continua sendo acompanhado de perto, pois influencia o ritmo de reposição da matéria-prima. Além disso, parte dos agentes segue retraída, aguardando a entrada mais intensa da nova safra no mercado. Os primeiros lotes da temporada 2025/26 estão sendo direcionados prioritariamente ao cumprimento de contratos a termo, especialmente os destinados à exportação. O Indicador CEPEA/ESALQ do algodão em pluma, com pagamento em 8 dias permanece praticamente estável nos últimos sete dias (+0,03%), cotado a R$ 4,09 por libra-peso. Neste início de julho, porém, o Indicador acumula queda de 0,63%. Ainda assim, na parcial de julho, a cotação interna permanece, em média, 6,8% acima da paridade de exportação. A paridade de exportação (FAS) é de R$ 3,82 por libra-peso (74,52 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Santos (SP) e de R$ 3,83 por libra-peso (74,73 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Paranaguá (PR), com base no Índice Cotlook A, referente à pluma posta no Extremo Oriente.
Na Bolsa de Nova York, os primeiros estão em alta, influenciados pelas condições das lavouras norte-americanas, especialmente diante do calor e do estresse hídrico no Texas, além da retomada das negociações após o feriado nos Estados Unidos. Nos últimos sete dias, o contrato Julho/26 tem alta de 2,71%; o Outubro/26, de 2,61%; o Dezembro/26, de 1,44%; e o Março/27, de 2,47%. Segundo dados divulgados pelo Comitê Consultivo Internacional do Algodão (Icac) no início de julho, a produção mundial de algodão na safra 2026/27 está estimada em 25,89 milhões de toneladas, volume 0,4% superior ao projetado em junho, mas 2,2% inferior ao da temporada anterior. A área cultivada permaneceu inalterada frente ao relatório de junho, totalizando 30,1 milhões de hectares, patamar 1% inferior ao da safra 2025/26. A produtividade foi estimada em 859,92 Kg por hectare, alta de 0,39% em relação ao mês anterior, mas queda de 1,21% frente à temporada passada. O consumo mundial foi projetado em 25,51 milhões de toneladas, com reajustes positivos de 0,9% na comparação mensal e de 1,1% em relação à safra anterior.
Ainda assim, o volume permanece 1,5% abaixo da oferta global. As exportações mundiais são estimadas em 9,64 milhões de toneladas, com altas de 0,99% frente à estimativa de junho e de 2,58% em relação à temporada anterior. O Brasil responde por aproximadamente 52% das importações chinesas de algodão na safra atual, consolidando-se como o principal fornecedor da fibra ao país asiático. O impasse comercial entre Estados Unidos e China continua influenciando o fluxo e a competitividade entre exportadores, fazendo com que a Austrália ocupe atualmente a segunda posição dentre os fornecedores de algodão para a China. Os estoques finais mundiais devem atingir 18,53 milhões de toneladas, o maior volume global desde a temporada 2019/20, altas de 0,39% frente à projeção de junho e de 2,9% em relação à safra 2025/26. Quanto aos preços, o Icac projeta média de 75,70 centavos de dólar por libra-peso para o Índice Cotlook A na safra 2026/27, com variação prevista entre 66,00 centavos de dólar por libra-peso e 85,00 centavos de dólar por libra-peso. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.