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09/Jul/2026

Baixa liquidez limita reação de preços domésticos

Segundo a StoneX, o mercado internacional de algodão iniciou o terceiro trimestre sustentado por fundamentos favoráveis, com destaque para a redução da produção global, o fortalecimento da demanda asiática e a valorização do petróleo, fatores que dão suporte às cotações na Bolsa de Nova York. No mercado brasileiro, entretanto, a liquidez permanece reduzida, refletindo a postura cautelosa dos compradores e maior flexibilidade de parte dos vendedores diante da aproximação da nova safra. No mercado doméstico, o Indicador Cepea/Esalq do algodão em pluma, com pagamento em 8 dias, apresenta avanço de 0,08% no acumulado parcial de julho. Os negócios seguem pontuais, refletindo divergências entre os preços ofertados pelos vendedores e os valores aceitos pelos compradores. A resistência de produtores mais capitalizados e detentores de lotes de melhor qualidade sustentou as cotações em alguns momentos, mas perdeu intensidade nos últimos dias.

Parte dos vendedores passou a demonstrar maior disposição para negociar diante da redução da competitividade das exportações e da necessidade de liberar espaço nos armazéns antes da intensificação da comercialização da safra 2025/26. Do lado da demanda, a indústria permanece abastecida por compras antecipadas, estoques próprios e contratos a termo, reduzindo a necessidade de novas aquisições no mercado disponível. A competitividade das exportações também diminuiu no início de julho. A paridade de exportação Free Alongside Ship (FAS) é de R$ 3,82 por libra-peso no Porto de Santos (SP) e de R$ 3,83 por libra-peso no Porto de Paranaguá (PR). O movimento é influenciado principalmente pela valorização do Real frente ao dólar. Mesmo assim, na parcial de julho, a cotação doméstica permanece, em média, 6,8% acima da paridade de exportação.

Na Bolsa de Nova York, os contratos futuros operaram em acomodação técnica. O movimento foi sustentado pela deterioração das condições das lavouras norte-americanas e pela valorização do petróleo. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou que 46% das áreas de algodão apresentavam condição entre boa e excelente até o dia 5 de julho, queda de 2% em relação à semana anterior. Apesar disso, o desenvolvimento da safra permanece próximo da média histórica, com 49% das lavouras em emissão de botões florais, dois pontos acima da média dos últimos cinco anos, e 14% na fase de formação de maçãs, em linha com o padrão histórico. Dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) mostram que os investidores reduziram em 6.460 contratos a posição líquida comprada até 30 de junho, mantendo saldo positivo de 31.985 contratos entre futuros e opções.

A valorização do petróleo melhora a competitividade relativa do algodão frente às fibras sintéticas, uma vez que o poliéster, principal concorrente da fibra natural, possui forte correlação com os preços da commodity energética. O aumento do custo das fibras sintéticas tende a fortalecer o suporte às cotações do algodão. Contudo, o ambiente macroeconômico e a possibilidade de ganhos de produtividade nas lavouras norte-americanas, sob influência do El Niño, podem limitar avanços adicionais dos preços. A demanda asiática continua sendo um dos principais fatores de sustentação do mercado. A China importou aproximadamente 825 mil toneladas de algodão nos cinco primeiros meses de 2026, volume 91% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. A menor disponibilidade de fibra no mercado doméstico chinês ampliou a necessidade de compras externas.

De acordo com o Comitê Consultivo Internacional do Algodão (Icac), o Brasil responde por cerca de 52% das importações chinesas de algodão na atual safra, consolidando-se como principal fornecedor da fibra ao mercado chinês. No cenário global, o Icac projeta produção mundial de algodão de 25,89 milhões de toneladas na safra 2026/27, volume 0,4% superior à estimativa divulgada em junho, mas 2,2% inferior ao da temporada anterior. A área cultivada foi mantida em 30,1 milhões de hectares, redução de 1% em relação à safra 2025/26. O consumo mundial é estimado em 25,51 milhões de toneladas, crescimento de 1,1% na comparação anual, enquanto as exportações globais deverão alcançar 9,64 milhões de toneladas, avanço de 2,58%. Os estoques finais, entretanto, são projetados em 18,53 milhões de toneladas, o maior volume desde a safra 2019/20, fator que continua limitando uma perspectiva de maior aperto na oferta mundial da fibra. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.