15/Jul/2026
O preço do algodão em pluma perdeu força nos últimos dias, enquanto a paridade de exportação apresenta recuperação, reduzindo a diferença entre os valores internos e os de exportação. No mercado doméstico, os compradores seguem relatando dificuldades na aprovação da qualidade de parte dos lotes ofertados. Além disso, as indústrias continuam apontando lentidão nas vendas de manufaturados, o que reforça a postura cautelosa nas aquisições. Nesse cenário, algumas empresas oferecem preços menores em novas compras, pressionando as cotações. Pelo lado da oferta, os produtores permanecem atentos ao desenvolvimento e à colheita da próxima safra, bem como ao cumprimento dos contratos a termo. Enquanto parte dos produtores busca liquidar os estoques remanescentes da safra 2024/25, outra parcela mantém os preços firmes, restringindo a liquidez no mercado spot. Comerciantes, por sua vez, seguem realizando fechamentos "casados" e aquisições voltadas ao cumprimento das programações previamente estabelecidas.
Além das negociações com entrega nos próximos meses, o ritmo de comercialização da safra 2026/27 avança, sobretudo nos momentos em que os contratos da ICE Futures registram valorização mais expressiva. O Indicador CEPEA/ESALQ do algodão em pluma, pagamento em 8 dias, registra recuo de 1,33% nos últimos sete dias, cotado a R$ 4,04 por libra-peso. Na parcial de julho, o Indicador acumula queda de 1,95%. Ainda assim, a cotação interna permanece, em média, 4,9% acima da paridade de exportação. Especificamente no dia 13 de julho, o Indicador esteve apenas 0,7% acima da paridade. A paridade de exportação (FAS) é de R$ 4,00 por libra-peso (78,03 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Santos (SP) e de R$ 4,01 por libra-peso (78,23 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Paranaguá (PR), com base no Índice Cotlook A, referente à pluma posta no Extremo Oriente. Na Bolsa de Nova York, os primeiros contratos avançam pela segunda semana consecutiva, influenciados pelas condições das lavouras no Hemisfério Norte, pela valorização do petróleo no mercado internacional e pelo comportamento da demanda.
Nos últimos sete dias, o contrato Outubro/26 tem alta de 4,05%; o Dezembro/26, 1,54%; o Março/27, 4,03%; e o Maio/27, 3,84%. O contrato Julho/26 encerrou sua negociação no dia 9 de julho, a 76,16 centavos de dólar por libra-peso, acumulando alta de 5,46% entre 30 de junho e 9 de julho. Quanto às condições das lavouras norte-americanas, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou, em relatório divulgado no dia 13 de julho, que 44% das áreas estavam classificadas entre boas e excelentes, abaixo dos 46% da semana anterior e dos 54% registrados no mesmo período do ano passado. Outros 40% foram classificados em condição regular, dois pontos percentuais acima da semana anterior, enquanto 16% permaneceram em condições ruins ou muito ruins, o mesmo percentual do relatório anterior. Segundo dados divulgados nesta terça-feira (14/07) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira de algodão na temporada 2025/26 está estimada em 4,06 milhões de toneladas, volume 2,05% superior ao projetado no relatório anterior, mas ainda 0,5% inferior à safra passada.
O aumento decorre da revisão positiva da produtividade média, estimada em 2.011 Kg por hectare, altas de 2,13% frente ao levantamento anterior e de 2,8% em relação ao ciclo 2024/25. A área cultivada foi projetada em 2,02 milhões de hectares, com leve recuo de 0,08% em relação ao relatório anterior e baixa de 3,2% em comparação com a temporada passada. Enquanto as estimativas para a Bahia permaneceram inalteradas em julho, a Conab revisou para cima os números de Mato Grosso, principal Estado produtor do País. A área cultivada em Mato Grosso foi mantida em 1,39 milhão de hectares, estável em relação a junho e 4,7% inferior à da safra anterior. Em contrapartida, a produtividade e a produção foram elevadas em 2,93% em relação ao relatório anterior. Com isso, a produção passou a ser estimada em 2,8 milhões de toneladas, volume 1,8% inferior ao da temporada 2024/25, enquanto a produtividade média alcançou 2.011 Kg por hectare, avanço de 3,1% em relação ao ciclo passado.
Segundo o USDA, a produção mundial de algodão na safra 2026/27 foi estimada em 25,53 milhões de toneladas no relatório divulgado em 10 de julho, volume 1% superior ao projetado anteriormente, mas ainda 3,8% inferior ao da safra passada. Para o Brasil e os Estados Unidos, as estimativas de produção foram elevadas em 3% frente ao relatório anterior, para 3,919 milhões e 2,983 milhões de toneladas, respectivamente. Ainda assim, esses volumes permanecem 4% e 1,4% abaixo dos registrados na temporada 2025/26. O consumo mundial foi projetado em 26,552 milhões de toneladas, alta de 0,2% frente ao relatório anterior, impulsionada principalmente pelo aumento de 2,6% na demanda do Vietnã. Em relação à safra 2025/26, o consumo deve crescer 1,7%, mantendo-se cerca de 4% acima da produção mundial. As transações globais da safra 2026/27 permaneceram praticamente estáveis em relação ao relatório de junho, em 9,437 milhões de toneladas.
Em relação à temporada anterior, as importações mundiais devem recuar 1,3%, e as exportações, 3,3%, embora esta última projeção tenha sido revisada positivamente em 0,1% na comparação mensal. Os estoques mundiais foram estimados em 15,507 milhões de toneladas, alta de apenas 0,1% frente ao relatório anterior, mas queda de 5,9% em relação à safra passada. O USDA elevou as projeções de estoques da Índia e dos Estados Unidos em 3% e 10,8%, respectivamente, e reduziu em 13,9% a estimativa para o Brasil, para 742 mil toneladas. Quanto aos preços, o USDA manteve em 73,00 centavos de dólar por libra-peso o valor médio recebido pelo produtor norte-americano na safra 2026/27, 16,8% superior ao registrado na temporada anterior (62,50 centavos de dólar por libra-peso). Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.