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16/Jul/2026

Preço do algodão pressionado pela fraca demanda

Os preços domésticos do algodão permanecem pressionados pelo ritmo lento das compras da indústria têxtil e pelo avanço da colheita brasileira, que amplia gradualmente a oferta disponível no mercado. Apesar desse cenário de curto prazo, as perspectivas para a safra 2026/27 seguem mais favoráveis, sustentadas pela expectativa de redução dos estoques globais, fator que tende a limitar a pressão sobre as cotações ao longo do próximo ciclo. O Itaú BBA avalia que a diminuição dos estoques mundiais cria um ambiente mais construtivo para os preços na temporada 2026/27, mesmo diante da atual fraqueza do mercado físico. O Indicador Cepea/Esalq, com pagamento em 8 dias, acumula recuo de 1,70% em julho. Até 13 de julho, a cotação doméstica permaneceu, em média, 4,9% acima da paridade de exportação. Naquele dia, entretanto, essa diferença foi reduzida para apenas 0,7%, refletindo simultaneamente a recuperação dos preços de exportação e a acomodação das cotações no mercado interno.

O mercado continua registrando dificuldades na comercialização da pluma. Parte dos compradores relata problemas relacionados à qualidade de alguns lotes ofertados, enquanto a indústria têxtil mantém postura cautelosa diante do baixo ritmo de vendas de manufaturados. Em consequência, algumas empresas passaram a reduzir os preços ofertados nas novas negociações. No lado da oferta, os produtores concentram esforços na colheita da safra 2025/26, no cumprimento dos contratos a termo e na comercialização antecipada da safra 2026/27, que ganhou maior ritmo durante os períodos de valorização dos contratos futuros na Bolsa de Nova York. Segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), até junho, a comercialização atingia 73,01% da produção estimada da safra 2025/26 em Mato Grosso, enquanto a safra 2026/27 já apresentava comercialização de 29,35% da produção prevista. A paridade de exportação na condição Free Alongside Ship (FAS) é de R$ 4,00 por libra-peso no Porto de Santos (SP) e de R$ 4,01 por libra-peso no Porto de Paranaguá (PR).

O movimento refletiu principalmente a valorização de 4,6% do Índice Cotlook A, referência internacional da pluma entregue no Extremo Oriente. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevou a estimativa da produção norte-americana para 2,98 milhões de toneladas, refletindo a ampliação da área cultivada para 3,99 milhões de hectares. Os estoques finais dos Estados Unidos foram revisados para 893 mil toneladas. Apesar da revisão positiva para a produção, as condições das lavouras seguem sendo monitoradas pelo mercado. O relatório semanal do USDA indicou que apenas 44% das áreas apresentavam condições boas ou excelentes até o dia 12 de julho, queda de 2%s em relação à semana anterior e inferior aos 54% observados no mesmo período de 2025. No Texas, principal Estado produtor norte-americano, a deterioração alcançou 7%. No Brasil, a colheita segue avançando. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram que os trabalhos atingiam 8,1% da área cultivada até 10 de julho, frente a 5,1% na semana anterior.

O ritmo permanece abaixo dos 13,6% registrados no mesmo período de 2025, mas próximo da média histórica de 9,1%. Entre os Estados produtores, a colheita alcançava 26% da área no Maranhão, 25% no Piauí, 20% em Goiás, 18% em Minas Gerais e 4,4% em Mato Grosso. O Imea revisou para cima a produtividade média em Mato Grosso para 310,67 arrobas por hectare, incremento de 2,19% em relação ao levantamento anterior, elevando a estimativa de produção para 6,41 milhões de toneladas de algodão em caroço. As chuvas recentes não comprometeram o potencial produtivo, embora permaneça atenção às áreas onde ocorreram precipitações durante a abertura dos capulhos, situação que pode afetar a qualidade da fibra. No cenário internacional, o Itaú BBA projeta redução de aproximadamente 5% na produção mundial de algodão na safra 2026/27, para 25,3 milhões de toneladas, diante da retração entre os principais países produtores.

O consumo global deverá crescer moderadamente, atingindo cerca de 26,5 milhões de toneladas, avanço de 1,4%, refletindo um ambiente macroeconômico ainda moderado e os efeitos persistentes das tensões comerciais sobre a cadeia têxtil mundial. Como consequência, os estoques globais deverão recuar para um intervalo entre 15,5 milhões e 15,7 milhões de toneladas, reduzindo a relação estoque/uso para uma faixa entre 58% e 59%, significativamente abaixo da média de 67% observada nas últimas quatro safras. Entre os principais fatores de risco para o mercado, o Itaú BBA destaca a evolução do El Niño e o comportamento das cotações internacionais do petróleo. A redução dos preços do petróleo aumenta a competitividade das fibras sintéticas, exercendo pressão sobre o algodão negociado na Bolsa de Nova York. Além disso, a estrutura invertida da curva futura do petróleo, com contratos de longo prazo negociados abaixo dos vencimentos mais curtos, tende a limitar movimentos mais expressivos de valorização da pluma. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.