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30/Jul/2026

Preço do algodão sobe no Brasil com oferta restrita

Os preços do algodão em pluma ganharam sustentação no mercado físico brasileiro, impulsionados pela oferta restrita e pela postura firme dos produtores nas negociações. Apesar da recuperação das cotações, o ambiente comercial permanece cauteloso tanto no mercado interno quanto nas exportações, refletindo a combinação entre disponibilidade limitada de produto e demanda ainda seletiva. A restrição da oferta decorre do estágio inicial da colheita e do beneficiamento da safra 2025/26. Parte significativa da produção disponível já está comprometida com contratos previamente firmados, enquanto os produtores direcionam esforços para o atendimento desses compromissos, reduzindo a disponibilidade de pluma no mercado spot.

O Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) destacou que os compradores continuam buscando novos lotes para atender necessidades imediatas e recompor estoques, enquanto os vendedores mantêm posição firme, principalmente para algodão de qualidade superior. Esse comportamento levou parte da demanda a aceitar preços mais elevados, favorecendo a recuperação das cotações. No mercado externo, as exportações brasileiras seguem em ritmo favorável, embora a demanda internacional permaneça pontual e seletiva. O mercado também acompanha com cautela o cenário geopolítico internacional, diante da escalada das tensões no Oriente Médio e da volatilidade observada no mercado de petróleo.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam que, nas três primeiras semanas de julho, o Brasil exportou 95,2 mil toneladas de algodão, com média diária de embarques 32,3% superior à registrada no mesmo período de julho de 2025. Mesmo com a valorização recente da paridade de exportação, os preços domésticos permanecem, em média, 3,8% acima da paridade na parcial de julho. Desde o início do ano, as cotações internas vêm mantendo vantagem em relação aos preços equivalentes de exportação. A paridade de exportação (FAS) é de R$ 4,01 por libra-peso (78,55 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Santos (SP) e de R$ 4,02 por libra-peso (78,76 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Paranaguá (PR), com base no Índice Cotlook A, referência internacional da pluma entregue no Extremo Oriente.

No campo, a colheita da safra 2025/26 avança de forma gradual. Até 24 de julho, os trabalhos alcançavam 16,5% da área nacional, conforme levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Em Mato Grosso, principal Estado produtor, a colheita atingia 13,4% da área cultivada, segundo dados do Imea divulgados pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato). O ritmo permanece abaixo da média dos últimos cinco anos para o período, de 20,97%, em consequência das chuvas registradas em junho, que retardaram o início das operações de campo. A combinação entre oferta física ainda limitada, beneficiamento em andamento e elevado volume já comprometido em contratos continua oferecendo sustentação às cotações, mesmo diante de uma demanda moderada. O Indicador Cepea/Esalq do algodão em pluma, com pagamento em 8 dias, está cotado a R$ 4,16 por libra-peso. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.