06/Aug/2026
A recuperação das cotações internacionais do algodão começa a influenciar as decisões de plantio no Brasil para a safra 2026/27, favorecendo a expansão da área cultivada. No entanto, a StoneX avalia que o aumento da superfície semeada não deverá resultar em maior produção, devido aos riscos climáticos associados ao fenômeno El Niño, que podem comprometer a produtividade e a janela de cultivo da cultura. A consultoria projeta crescimento de 4,4% na área plantada, para 2,07 milhões de hectares. Apesar desse avanço, estima produção de 3,83 milhões de toneladas em 2027, recuo de 1,5% em relação à safra 2025/26, sustentado por uma produtividade média de 1,85 tonelada por hectare. No mercado doméstico, as cotações seguem sustentadas pela oferta restrita de pluma de melhor qualidade e pela postura firme dos vendedores.
O Indicador Cepea/Esalq, com pagamento em 8 dias, acumulou valorização de 1,96% em julho, encerrando o mês em R$ 4,20 por libra-peso, maior valor nominal desde 5 de junho. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a recuperação dos preços foi impulsionada principalmente pelos valores mais elevados no mercado internacional, pela disponibilidade limitada de lotes de qualidade superior e pela necessidade imediata de compra por parte de alguns consumidores. Ao mesmo tempo, a indústria têxtil mantém postura cautelosa em razão do ritmo lento das vendas de manufaturados, enquanto os vendedores priorizam o cumprimento dos contratos a termo à medida que a oferta da nova safra aumenta gradualmente. Em julho, a cotação doméstica permaneceu, em média, 4% acima da paridade de exportação, completando o sétimo mês consecutivo em que o mercado interno apresentou remuneração superior às vendas externas.
A paridade de exportação (FAS) avançou 2,2% em julho, encerrando o mês em R$ 3,91 por libra-peso no Porto de Santos (SP) e em R$ 3,92 por libra-peso no Porto de Paranaguá (PR). O movimento refletiu principalmente a valorização de 4,04% do Índice Cotlook A, principal referência internacional para a pluma entregue no Extremo Oriente, que fechou julho em 88,75 centavos de dólar por libra-peso, mesmo com a desvalorização de 1,84% do dólar frente ao Real. A queda dos preços do petróleo favorece a competitividade das fibras sintéticas e limita o avanço das cotações na Bolsa de Nova York, embora as perdas tenham sido parcialmente compensadas pela deterioração das condições das lavouras nos Estados Unidos. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), apenas 42% da safra apresentava condições boas ou excelentes até o dia 2 de agosto, redução de 4% em relação à semana anterior e abaixo dos 55% registrados no mesmo período de 2025.
No Texas, principal Estado produtor, a classificação de lavouras boas ou excelentes recuou 17%. No cenário internacional, o Cotton Outlook projeta produção mundial de 25,24 milhões de toneladas na safra 2026/27, queda de 5,6% em relação ao ciclo anterior, após reduzir as estimativas para China, Índia, Estados Unidos e Paquistão. O consumo global é estimado em 26,38 milhões de toneladas, permanecendo acima da oferta e indicando um balanço mundial mais ajustado para a fibra. Nesse ambiente, a recuperação das cotações internacionais tornou o algodão mais competitivo em relação a culturas concorrentes no Brasil. O contrato com vencimento em dezembro de 2027 negociado na Bolsa de Nova York acumulou valorização próxima de 13% no primeiro semestre de 2026, movimento que tende a estimular a expansão da área cultivada.
Apesar disso, o principal fator de risco para a próxima safra continua sendo o El Niño. O fenômeno poderá elevar o risco de estiagem em parte da Região Centro-Oeste e comprometer a janela de plantio do algodão, uma vez que a implantação da cultura depende da conclusão da colheita da soja. Eventuais atrasos na oleaginosa tendem a reduzir a janela ideal para o algodão. Mesmo com a expectativa de leve redução na produção, o Brasil permanecerá como o maior exportador mundial de algodão. Os embarques deverão alcançar aproximadamente 3,05 milhões de toneladas em 2027, volume 7,6% inferior ao estimado para 2026, mas ainda o segundo maior da série histórica. Além das condições climáticas, a consultoria destaca que a evolução da inflação global e dos preços do poliéster continuará sendo determinante para o comportamento da demanda internacional pela fibra na próxima temporada. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.