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13/Aug/2026

Varejo: conserto de roupas para atrair Geração Z

Grandes varejistas de vestuário estão ampliando serviços de conserto, ajustes e personalização de roupas como estratégia para atrair consumidores da Geração Z, que buscam reduzir gastos e, ao mesmo tempo, ampliar a sustentabilidade do consumo. Embora incentivar o reparo de peças usadas possa parecer contrário à expansão das vendas de roupas novas, os serviços de conserto em lojas e oficinas de costura vêm ganhando espaço entre as marcas. Casas de moda de luxo e empresas especializadas, como Patagonia e L.L. Bean, oferecem serviços de reparo há décadas. O conceito, porém, ganhou força entre grandes redes de vestuário, incluindo Levi Strauss & Co., Uniqlo e Primark, que passaram a utilizar consertos e capacitação em costura como ferramentas de relacionamento e fidelização de consumidores mais jovens. A Levi's criou um curso de costura para estudantes do ensino médio após identificar que muitos integrantes da Geração Z não possuíam conhecimentos necessários para acompanhar o interesse por compras em brechós e sustentabilidade.

Os funcionários dedicam 90 minutos ao ensino de quatro tarefas básicas: costurar botões, fazer bainhas, remendar buracos e reparar rasgos. O programa Wear Longer, que a empresa sediada em São Francisco está expandindo nos Estados Unidos, complementa os serviços de conserto e personalização oferecidos pela Levi's em centenas de lojas no mundo. A iniciativa busca ampliar a capacidade dos consumidores de conservar as peças e prolongar sua vida útil. O movimento ocorre em meio à pressão crescente sobre a indústria da moda para reduzir sua contribuição para a poluição ambiental e as mudanças climáticas. A produção de roupas praticamente dobrou entre 2000 e 2015, enquanto o número médio de vezes que cada peça é utilizada caiu cerca de 36%, segundo dados compilados pela Fundação Ellen MacArthur. A organização estima que menos de 1% do material de roupas descartadas tenha sido reciclado para a fabricação de novas peças. A mudança de comportamento da Geração Z também contribui para o crescimento do mercado de roupas usadas nos Estados Unidos.

Segundo estimativa da GlobalData, em relatório elaborado em parceria com a plataforma de revenda ThredUp, as vendas de vestuário de segunda mão vêm crescendo em ritmo muito superior ao das vendas tradicionais de roupas no varejo norte-americano. O movimento é associado tanto à limitação de orçamento quanto à menor disposição ao consumo materialista entre parte dos consumidores jovens. A estratégia de reparos também vem sendo adotada por grandes redes de fast-fashion, embora provoque questionamentos sobre seu impacto ambiental efetivo. A Zara, sediada na Espanha, lançou em 2022 uma plataforma digital que permite aos clientes revender peças usadas e solicitar ajustes e reparos básicos. O programa está disponível em 17 dos quase 100 países em que a varejista opera. A Primark, sediada na Irlanda, concentra esforços na educação dos consumidores por meio de eventos gratuitos denominados Love It For Longer, nos quais são ensinadas habilidades como troca de zíperes e botões. A Uniqlo, especializada em peças consideradas essenciais para o guarda-roupa, oferece serviços de pós-venda que incluem reparos, remendos decorativos no estilo sashiko, bordados e reformulações criativas.

Apesar da expansão dos programas, avaliações do setor apontam limitações quanto ao potencial de redução dos impactos ambientais. A principal fonte de impacto da indústria da moda permanece relacionada à superprodução e ao aumento dos volumes de roupas fabricadas. Dessa forma, o reparo de peças realizado pelas redes varejistas ocorre paralelamente ao crescimento da produção, sem necessariamente substituir parte desse volume. A expansão dos serviços de conserto representa, assim, uma transformação de uma atividade tradicional e associada à necessidade econômica em instrumento de fidelização e relacionamento com consumidores. Para as grandes marcas, a estratégia permite combinar maior durabilidade das peças, sustentabilidade e retenção de clientes, mas o efeito ambiental dependerá de sua capacidade de contribuir para a redução efetiva do descarte e dos volumes de produção. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.