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13/Aug/2026

Preços do algodão sustentados no mercado interno

O mercado brasileiro de algodão permanece firme, sustentado pela oferta restrita de pluma de melhor qualidade, enquanto os produtores aumentam o ritmo de comercialização da safra 2026/27. Mesmo com o avanço da colheita, os vendedores mantêm pedidas firmes, e compradores com necessidade imediata de matéria-prima aceitam pagar mais por lotes de qualidade superior. A valorização recente dos contratos futuros na Bolsa de Nova York também estimulou novos negócios antecipados, embora parte dos cotonicultores ainda adie as vendas da produção atual devido às preocupações com a qualidade da fibra. O Indicador Cepea/Esalq, com pagamento em 8 dias, registra alta de 0,57% em agosto. Os preços domésticos e a paridade de exportação voltaram a se aproximar, enquanto a liquidez permanece limitada pela dificuldade de acordo entre compradores e vendedores quanto aos preços e à qualidade dos lotes. Os compradores com necessidade imediata de matéria-prima têm elevado as ofertas, principalmente para aquisição de lotes de melhor qualidade.

Em contrapartida, parte das indústrias permanece cautelosa diante da fraqueza das vendas de produtos manufaturados e da dificuldade de repassar custos mais elevados aos produtos finais. A paridade de exportação na condição FAS é de R$ 4,16 por libra-peso no Porto de Santos (SP) e R$ 4,17 por libra-peso no Porto de Paranaguá (PR), com base no Índice Cotlook A, referente à pluma posta no Extremo Oriente. No campo, a colheita brasileira alcançou 42,3% da área até 6 de agosto, avanço superior a 13% em uma semana, segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). Em Mato Grosso, principal Estado produtor, os trabalhos atingiam 41% da área, enquanto o beneficiamento alcançava 9% da produção estadual. O Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) elevou a estimativa de produtividade do Estado para 315,33 arrobas por hectare em agosto, ante 310,67 arrobas por hectare no mês anterior. A produção de algodão em caroço está estimada em 6,51 milhões de toneladas. Em Mato Grosso, a comercialização da pluma apresentou ritmos distintos entre as duas safras em julho.

Para a safra 2025/26, 74,08% da produção estimada já havia sido comercializada, avanço de 1,06% ante junho. Apesar da evolução, o ritmo perdeu força nos últimos meses, em razão da preferência de parte dos produtores por adiar novas vendas diante das preocupações com a qualidade da fibra durante a colheita. Para a safra 2026/27, a comercialização alcançou 32,44% da produção estimada, avanço de 9,43% em relação ao nível registrado pela safra 2025/26 no mesmo período. O movimento reflete a estratégia dos produtores de aproveitar a recuperação recente das cotações internacionais. Na Bolsa de Nova York, os contratos futuros seguem sustentados pela piora das condições das lavouras norte-americanas. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou que apenas 40% da safra apresentava condição boa ou excelente no dia 9 de agosto, ante 53% um ano antes. A temporada de exportação brasileira 2024/25 terminou com resultado recorde. O Brasil embarcou 3,37 milhões de toneladas entre agosto de 2025 e julho de 2026, alta de 18,99% ante o período anterior e maior volume histórico para o intervalo.

Mato Grosso também registrou recorde, com 2,08 milhões de toneladas exportadas na temporada, avanço de 13,84% ante o ciclo anterior. Em julho, os embarques brasileiros somaram 155 mil toneladas, aumento de 21,8% ante o mesmo mês de 2025 e segundo maior volume para julho da série histórica. A tendência é de aceleração dos embarques nos próximos meses, à medida que a colheita avance e os volumes da nova safra estejam disponíveis. No médio prazo, a StoneX projeta aumento de 4,4% da área plantada de algodão no Brasil em 2027, impulsionado pela recuperação das cotações internacionais. Apesar da expansão da área, a consultoria estima produção de 3,83 milhões de toneladas, ligeiramente inferior à da safra atual, em razão dos riscos associados ao El Niño sobre a produtividade e da possibilidade de atrasos na janela de plantio. Mesmo com a perspectiva de menor produção, o Brasil tende a manter a liderança mundial nas exportações de algodão, apoiado pelo crescimento da área cultivada, pela competitividade externa e pelo desempenho recente dos embarques. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.