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14/Aug/2026

Menor oferta global sustenta os preços do algodão

A menor oferta global de algodão e o avanço da participação brasileira no comércio internacional devem sustentar as cotações da fibra. O mercado já teria superado a fase mais crítica de preços e apresenta perspectiva mais favorável, diante da redução da produção em importantes países produtores e do fortalecimento da posição brasileira nas exportações. Entre os principais fatores de suporte estão as reduções previstas na produção de Estados Unidos, Índia e Austrália. Na Austrália, o impacto das condições climáticas é especialmente relevante. A área cultivada com algodão deve recuar para cerca de 325 mil hectares no próximo ciclo, ante 650 mil hectares há dois ciclos.

A restrição hídrica é o principal fator para a redução da área, e o El Niño tende a agravar a disponibilidade de água e contribuir para uma nova retração do plantio. A menor produção australiana ocorre em um cenário no qual a oferta global de algodão deverá ficar abaixo da demanda na safra atual. Como consequência, a tendência é de redução dos estoques mundiais, criando suporte adicional para os preços da fibra e indicando que a fase mais crítica das cotações já teria sido superada. O nível atual de preços é considerado suficiente para remunerar adequadamente o produtor brasileiro, favorecido por produtividade elevada e custo de produção por libra-peso inferior ao de concorrentes internacionais.

Nos Estados Unidos, o custo de produção está estimado entre 80,00 e 82,00 centavos de dólar por libra-peso, tornando o nível atual de preços menos remunerador para os produtores norte-americanos. Nesse contexto, o Brasil tende a ampliar sua participação no comércio internacional de algodão. O aumento da produção e das exportações brasileiras ocorre em um mercado mundial no qual a demanda apresenta crescimento limitado. A Índia aparece como potencial novo vetor para as exportações brasileiras. O país voltou a ganhar relevância como comprador e poderá ampliar essa posição nos próximos anos em função do crescimento da população e da economia.

A estratégia indiana poderá envolver maior utilização de algodão importado em substituição à expansão da produção doméstica da fibra, permitindo direcionar recursos e área agrícola para a produção de alimentos. Essa mudança poderá abrir espaço adicional para o algodão brasileiro no mercado indiano. A China permanece como outro importante destino para o algodão brasileiro, embora seus volumes de importação apresentem variações de acordo com cada ano. O cenário de menor oferta global, combinado com o avanço da produção e das exportações brasileiras, tende a fortalecer a posição do Brasil no comércio internacional e a contribuir para a sustentação das cotações da fibra. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.