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19/Aug/2026

Preços do algodão estáveis no mercado doméstico

A cotação do algodão em pluma está praticamente estável no mercado brasileiro, apesar da elevação dos preços internacionais. A alta da paridade de exportação e dos contratos futuros na Bolsa de Nova York nos últimos dias reforça a postura firme dos vendedores, que demonstram resistência em negociar a preços mais baixos. Esse movimento, contudo, ainda não se traduz em avanço dos preços domésticos, diante da cautela dos compradores e do ritmo enfraquecido das vendas. Parte dos compradores continua oferecendo valores menores devido às dificuldades de repasse da valorização da matéria-prima aos produtos manufaturados e à redução das margens. Com isso, a diferença entre os preços pedidos por vendedores e os valores oferecidos por compradores tem limitado a liquidez. Ainda assim, agentes com necessidade mais urgente de abastecimento demonstram maior disposição para adquirir novos lotes, especialmente os de qualidade superior.

O Indicador CEPEA/ESALQ do algodão em pluma, pagamento em 8 dias, registra leve recuo de 0,15% nos últimos sete dias, para R$ 4,21 por libra-peso. Na parcial de agosto, porém, o Indicador registra alta de 0,31%. Mesmo com as oscilações recentes da paridade de exportação, a cotação doméstica permanece, em média, 0,2% acima da paridade na parcial do mês. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a colheita da safra 2025/26 avançou para 59,4% da área brasileira até 14 de agosto. Os maiores percentuais foram registrados no Maranhão e no Piauí, de 84%; em Mato Grosso do Sul e em Goiás, de 77%; em Mato Grosso, de 58,7%; em Minas Gerais, de 58%; e na Bahia, de 56%. De acordo com a Abrapa, o beneficiamento alcançou 27% da produção nacional. Apesar do avanço das operações de campo e de beneficiamento, a demanda das fiações permanece contida em diversos mercados, pressionada pelos preços elevados do algodão e pela redução das margens.

Na China, as expectativas são de recuperação da demanda por fios a partir de setembro, enquanto as vendas no varejo dos Estados Unidos seguem fortes, acumulando alta. O relatório de agosto do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) trouxe revisões que contribuíram para sustentar as cotações internacionais. Para 2026/27, a produção mundial foi estimada em 25,612 milhões de toneladas, alta de 0,32% em relação à projeção anterior. O consumo, por sua vez, foi elevado em ritmo mais intenso (+0,79% no mês), para 26,763 milhões de toneladas. Assim, a demanda mundial supera a produção, e os estoques finais foram reduzidos para 15,172 milhões de toneladas. Dentre os principais consumidores, o USDA elevou em 109 mil toneladas as estimativas de consumo da China e da Índia, para 9,15 milhões de toneladas e 5,8 milhões de toneladas, respectivamente. As importações indianas foram projetadas em 653 mil toneladas, 109 mil toneladas acima da estimativa anterior, devido à manutenção da isenção do imposto de importação até outubro.

O Brasil deve liderar as exportações mundiais, com 3,3 milhões de toneladas. A produção brasileira 2026/27 foi revisada para 3,974 milhões de toneladas, alta de 1,4% em relação à estimativa de julho. Embora a maior oferta brasileira amplie a disponibilidade para exportação, o crescimento mais intenso do consumo mundial e a redução dos estoques contribuem para um cenário internacional mais ajustado. O USDA também elevou para 75,00 centavos de dólar por libra-peso o preço médio recebido pelo produtor norte-americano em 2026/27. Dessa forma, o cenário internacional combina maior consumo, maior demanda por parte de importantes compradores e estoques menores, fatores que ajudam a explicar a recente valorização dos contratos futuros. Segundo o 11º levantamento da Conab, a produção brasileira de algodão em pluma na safra 2025/26 está estimada em 4,08 milhões de toneladas, volume 0,1% superior ao da safra passada e 0,6% acima da estimativa anterior. A produtividade média foi revisada para 2.024 Kg por hectare, a maior da série histórica, aumento de 3,4% em relação ao ciclo 2024/25.

A área cultivada foi projetada em 2,02 milhões de hectares, baixa de 3,2% em relação à safra anterior. Mesmo com a redução da área, o aumento da produtividade sustentou a produção nacional. A paridade de exportação (FAS), é de R$ 4,25 por libra-peso (81,87 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Santos (SP) e R$ 4,26 por libra-peso (82,07 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Paranaguá (PR), com base no Índice Cotlook A, referente à pluma posta no Extremo Oriente. Na ICE Futures, os contratos de algodão estão em alta. O contrato Out/26 está cotado a 84,07 centavos de dólar por libra-peso, com alta de 1,63% nos últimos sete dias; o Dez/26, a 79,41 centavos de dólar por libra-peso, avanço de 0,8%; o Jul/27, 87,73 centavos de dólar por libra-peso, elevação de 1,38%; e o Out/27, a 82,57 centavos de dólar por libra-peso, aumento de 0,72%. A valorização dos futuros está alinhada às revisões do USDA, que apontaram maior consumo mundial e redução dos estoques finais, além de aumentos nas estimativas de demanda de importantes consumidores, como a China e a Índia. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.