21/Aug/2026
O mercado de algodão segue sustentado pela melhora dos fundamentos internacionais de oferta e demanda, mas a recuperação das cotações permanece moderada no Brasil diante da cautela da indústria têxtil. A redução dos estoques globais e a melhora da relação entre consumo e produção criam um ambiente mais construtivo para a fibra, enquanto, no mercado doméstico, a dificuldade de repasse da valorização da matéria-prima aos produtos manufaturados e o ritmo ainda lento das vendas limitam a alta dos preços. No mercado físico brasileiro, o Indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), com pagamento em 8 dias, registra alta de 0,84% em agosto.
A elevação da paridade de exportação e dos contratos futuros na Bolsa de Nova York reforçou a postura firme dos vendedores, mas o movimento ainda não se converteu em avanço proporcional dos preços domésticos, em razão da cautela dos compradores e do ritmo enfraquecido das vendas. Até 17 de agosto, o indicador acumulava alta de 0,31% e permanecia, em média, apenas 0,2% acima da paridade de exportação no mês. Parte dos compradores continua oferecendo preços menores diante das dificuldades de repassar a valorização da matéria-prima aos produtos manufaturados e da compressão das margens. Em contrapartida, indústrias com necessidade mais imediata de abastecimento apresentam maior disposição para negociar lotes, principalmente aqueles de melhor qualidade.
A paridade de exportação na condição FAS é de R$ 4,25 por libra-peso no Porto de Santos (SP) e R$ 4,26 por libra-peso no Porto de Paranaguá (PR), com base no Índice Cotlook A, referente à pluma posta no Extremo Oriente. Na Bolsa de Nova York, o suporte às cotações aumentou após o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduzir para 38% a parcela das lavouras de algodão classificadas como boas ou excelentes no dia 15 de agosto, ante 40% na semana anterior e 55% no mesmo período do ano passado. Com isso, o indicador Brugler500 recuou mais nove pontos, para 310. Paralelamente, os fundos especulativos elevaram a posição comprada para 78.870 contratos entre futuros e opções, o maior volume em mais de dois anos, conforme dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC).
O cenário internacional também se tornou mais favorável após o relatório de agosto do USDA elevar a projeção de consumo mundial de algodão para 26,763 milhões de toneladas, acima da produção estimada em 25,612 milhões de toneladas. Os estoques finais globais foram reduzidos para 15,172 milhões de toneladas. As estimativas de consumo da China e da Índia foram revisadas para cima em 109 mil toneladas cada, para 9,15 milhões de toneladas e 5,8 milhões de toneladas, respectivamente. O USDA manteve a expectativa de que o Brasil lidere novamente as exportações mundiais, com 3,3 milhões de toneladas em 2026/27. No Brasil, a safra 2025/26 segue com evolução favorável. Segundo o 11º levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira de algodão em pluma está estimada em 4,08 milhões de toneladas, volume 0,6% superior à estimativa anterior.
A produtividade média foi revisada para 2.024 quilos por hectare, a maior da série histórica, com aumento de 3,4% em relação ao ciclo 2024/25. A colheita alcançou 59,4% da área brasileira até 14 de agosto, com Mato Grosso em 58,7% e Bahia em 56%. A combinação de demanda mais firme na Ásia, estoques mundiais menores e forte ritmo das exportações brasileiras mantém um quadro mais construtivo para a fibra. A recuperação recente das cotações internacionais, a valorização do dólar e o desempenho das exportações estimularam o avanço da comercialização em Mato Grosso, tanto da safra 2025/26 quanto da 2026/27. Esse movimento reduz a exposição dos produtores e reforça a percepção de um ambiente mais favorável para o mercado, embora a cautela da indústria têxtil brasileira ainda limite a transmissão integral do suporte externo para os preços domésticos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.