27/Aug/2026
O Brasil tem potencial para ampliar a área cultivada com algodão, mas a expansão depende de preços capazes de remunerar uma cultura de elevado custo de produção e maior complexidade de manejo. No cenário atual, cotações entre 80 e 85 centavos de dólar por libra-peso são consideradas estimulantes ao plantio, enquanto níveis próximos de 70 centavos de dólar por libra-peso ou inferiores tendem a reduzir a atratividade da cultura e podem favorecer a migração de área para soja e milho. A decisão de plantio, contudo, não depende apenas das cotações. Rotação de culturas, janela climática, custo de produção e disponibilidade de capital também são fatores determinantes. No oeste da Bahia, onde está concentrada parte da produção do Grupo Horita, a estação chuvosa é cerca de 30 dias mais curta do que em Mato Grosso, o que limita a adoção de uma segunda safra.
Dessa forma, soja, milho e algodão são concentrados na primeira safra, com plantio entre meados de outubro e meados de dezembro. A rotação de culturas é considerada estratégica para elevar a eficiência e a produtividade do sistema. O custo é o principal limitador para uma expansão mais expressiva da cotonicultura. O desembolso necessário para o algodão é estimado em 3 a 3,5 vezes o da soja e cerca de duas vezes o do milho. O ciclo também é significativamente mais longo. Enquanto a soja cultivada na Bahia demanda de 125 a 130 dias, o algodão requer de 170 a 190 dias entre o plantio e a colheita. A maior complexidade operacional decorre, principalmente, da necessidade de controle de pragas durante todo o ciclo. Bicudo, lagartas, pulgão, mosca-branca e tripes exigem acompanhamento contínuo. No oeste da Bahia, somente o controle do bicudo pode representar custo de US$ 180,00 a US$ 200,00 por hectare, com aplicações que, em determinadas regiões, podem chegar a 25 por safra.
No algodão, o custo de produtos químicos supera o de fertilizantes, diferentemente do observado nas demais principais culturas agrícolas. Uma inovação tecnológica em desenvolvimento poderá reduzir parte dessa pressão. Uma empresa trabalha no desenvolvimento de uma variedade de algodão transgênico resistente ao bicudo, com previsão de chegada comercial entre 2030 e 2032. Existe a possibilidade de o setor buscar aprovação emergencial junto aos órgãos reguladores para antecipar a disponibilidade da tecnologia. A qualidade da fibra permanece como um dos principais diferenciais competitivos do algodão brasileiro. Cada fardo recebe identificação individual pelo Sistema Abrapa de Identificação (SAI), por meio de código de barras que permite rastrear a origem da pluma até a fazenda, a prensa e a usina de beneficiamento. Praticamente 100% da produção nacional está rastreada e submetida a programas de certificação, como o Algodão Brasileiro Responsável (ABR), ampliando a capacidade de identificação e controle da origem da fibra.
Na comercialização, ainda há espaço para avanços por parte dos produtores brasileiros. A eficiência dentro da porteira é elevada, mas a gestão comercial exige maior aprimoramento. A venda escalonada e o acompanhamento diário das condições de mercado são considerados fundamentais, especialmente em um ambiente no qual as cotações são influenciadas por fundos de investimento, eventos geopolíticos e fundamentos de oferta e demanda. Nesse contexto, a formação de uma boa média de venda ao longo do tempo ganha importância equivalente à eficiência produtiva. A capacidade de aproveitar momentos de valorização e administrar períodos de queda dos preços passa a ser componente essencial da rentabilidade da cotonicultura, em conjunto com produtividade, controle de custos e eficiência operacional. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.