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27/Aug/2026

Preço do algodão em alta e comercialização pontual

O mercado brasileiro de algodão registra alta nos preços domésticos em agosto, sustentado pela postura firme dos vendedores e pela valorização das cotações internacionais. A paridade de exportação avançou em ritmo mais intenso e voltou a superar o indicador interno pela primeira vez desde novembro de 2025. No curto prazo, os contratos futuros na Bolsa de Nova York operam em leve recuo, após a queda do petróleo, enquanto a deterioração das lavouras nos Estados Unidos e a demanda pela pluma norte-americana limitam perdas mais expressivas. Para a próxima temporada, a alta das cotações estimula a comercialização antecipada, mas os custos elevados restringem uma expansão mais significativa da área. O Indicador Cepea/Esalq do algodão em pluma, com pagamento em 8 dias, acumula alta de 1,83% na parcial de agosto.

A valorização recente é sustentada pela postura firme dos vendedores e pelos avanços dos preços internacionais. Apesar da alta das cotações, as negociações permanecem pontuais. Os compradores com necessidade imediata de matéria-prima demonstram maior disposição para adquirir novos lotes, principalmente de melhor qualidade. Parte da indústria, contudo, continua cautelosa e oferece valores menores diante da dificuldade de repassar a valorização da pluma aos produtos manufaturados. A diferença entre os preços pedidos pelos vendedores e os valores ofertados pelos compradores ainda limita o volume de negócios. O principal destaque é a inversão da relação entre o mercado doméstico e a paridade de exportação. Os preços internos passaram a ficar 3% abaixo da paridade, situação que não era observada desde novembro de 2025.

A paridade na condição Free Alongside Ship (FAS) é de R$ 4,40 por libra-peso no Porto de Santos (SP) e de R$ 4,41 por libra-peso no Porto de Paranaguá (PR), com base no Índice Cotlook A, referente à pluma posta no Extremo Oriente. Na Bolsa de Nova York, os contratos futuros operam em leve recuo, em acomodação técnica após as altas acumuladas nos últimos dias. Na última semana, porém, os principais contratos acumularam ganhos expressivos: dezembro avançou 3,92%, março de 2027 subiu 3,91% e julho de 2027 registrou alta de 3,53%. O principal suporte às cotações continua vindo da deterioração das lavouras norte-americanas. O relatório semanal de Progresso de Safra do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apontou que apenas 37% das lavouras estavam em condição boa ou excelente no dia 23 de agosto, ante 38% na semana anterior e 54% no mesmo período de 2025. A parcela classificada como ruim ou muito ruim aumentou de 26% para 29% em uma semana.

No Texas, principal Estado produtor de algodão dos Estados Unidos, as avaliações das lavouras recuaram. O Monitor da Seca indica que 44% das áreas produtoras do país enfrentam algum grau de estiagem, avanço de 4 pontos porcentuais ante a semana anterior. No Brasil, a colheita da safra 2025/26 alcançou 66% da área nacional até 20 de agosto, segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). O Paraná já concluiu os trabalhos, enquanto Mato Grosso do Sul chegou a 95%, São Paulo a 91%, Mato Grosso a 70% e Bahia a 51%. O beneficiamento alcançou 32% da produção nacional, com avanço mais acentuado no Paraná e em São Paulo. As exportações brasileiras permanecem em ritmo acelerado. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que o Brasil embarcou 73,48 mil toneladas de algodão na parcial de agosto, ante 77,46 mil toneladas em todo agosto de 2025. A média diária está em 4,90 mil toneladas, 32,8% acima da registrada no mesmo mês do ano passado.

O preço médio de exportação está em US$ 0,7690 por libra-peso, 6,3% acima do observado em agosto de 2025. Para a safra 2026/27, a alta das cotações já estimula as negociações antecipadas. Entre 70% e 75% da produção de pluma da safra 2025/26 já foi negociada, com recuperação do ritmo de comercialização após o início abaixo da média histórica. Para 2026/27, os negócios antecipados avançam acima do patamar registrado no ano anterior, com produtores aproveitando períodos de maior valorização para firmar contratos mais longos. Apesar desse movimento, a Datagro trabalha com expansão apenas marginal da área cultivada na próxima temporada e produção próxima de 3,9 milhões de toneladas de pluma, diante dos custos elevados e do cenário de instabilidade econômica e geopolítica. O custo de implantação de um hectare de algodão pode chegar a cerca de R$ 16 mil, ante aproximadamente R$ 6 mil na soja, fator que restringe a entrada de produtores menos capitalizados. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.