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28/Aug/2026

Oferta global menor reforça a liderança do Brasil

A redução esperada da oferta mundial de algodão deve reforçar a posição do Brasil no mercado internacional na safra 2026/27, após o País assumir a liderança global nas exportações da pluma. O Rabobank projeta queda de cerca de 4% na produção mundial e de 7% nos estoques, em um cenário de menor oferta principalmente na China e na Austrália. O movimento ocorre enquanto o Brasil mantém a produção próxima dos maiores níveis da história. Para 2025/26, o Rabobank estima uma safra de cerca de 4 milhões de toneladas de pluma, volume semelhante ao recorde registrado no ciclo anterior. A Bahia aparece como destaque, com potencial para alcançar uma nova máxima de produção. A elevada disponibilidade permitiu ao Brasil ampliar sua participação no comércio mundial. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, as exportações brasileiras atingiram 3,4 milhões de toneladas, alta de 19% ante a temporada anterior e maior volume já registrado no período.

O desempenho ocorreu em meio a problemas climáticos enfrentados por concorrentes e consolidou o Brasil como maior exportador mundial da fibra. A perspectiva de menor oferta internacional já começou a se refletir nas cotações. Em agosto, os contratos futuros negociados na Bolsa de Nova York acumulam valorização de 6% ante julho, enquanto os preços da pluma em Mato Grosso avançam 4% no mesmo intervalo. A alta das cotações estimula a comercialização por parte dos produtores brasileiros. Segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), as vendas da safra 2025/26 chegaram a 74% da produção estimada, avanço de 8 pontos porcentuais em relação ao mesmo período do ano passado. Para 2026/27, 32% da produção projetada já havia sido comercializada, 10% acima do registrado um ano antes.

O quadro de oferta mais apertada, porém, encontra uma demanda ainda sem força para crescer de forma expressiva. Embora o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projete aumento de 1,7% no consumo mundial de algodão, o Rabobank avalia que a demanda pode permanecer praticamente estável diante das dificuldades macroeconômicas que seguem limitando o consumo de produtos têxteis. Nos Estados Unidos, as condições das lavouras estão abaixo das observadas no ano passado, mas a melhora das cotações em Nova York pode reduzir o abandono de áreas cultivadas. Para o Brasil, o principal risco à frente está no clima da safra 2026/27, com o mercado acompanhando os possíveis impactos do El Niño sobre as regiões produtoras. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.