02/Sep/2026
A cotação do algodão em pluma subiu em agosto, impulsionada pela postura firme dos vendedores, que estiveram atentos às valorizações no mercado internacional. Mesmo com o avanço, após operar acima da paridade de exportação por sete meses consecutivos, o preço doméstico ficou, em média, 1,5% abaixo desse parâmetro em agosto, situação que não era observada desde dezembro/25. No cenário externo, os preços foram impulsionados pelas condições desfavoráveis das lavouras dos Estados Unidos, especialmente no Texas, onde o calor intenso e a seca aumentam os riscos de redução da produção e, consequentemente, da oferta global. A valorização do petróleo no mercado internacional também sustentou os valores da pluma. No Brasil, agentes estiveram atentos aos avanços da colheita e do beneficiamento da safra 2025/26, priorizando os contratos a termo, especialmente os destinados à exportação.
Além do cumprimento das programações, parte dos players aproveitou a alta dos valores para firmar novos contratos e fechar negócios que estavam em aberto. Assim, a disponibilidade de lotes permaneceu limitada no spot, levando compradores com necessidade imediata a pagar mais por novas aquisições, sobretudo quando encontravam a qualidade desejada. A maior liquidez, contudo, continuou limitada pelo desacordo entre compradores e vendedores. Nesse cenário, entre 31 de julho e 31 de agosto, o Indicador CEPEA/ESALQ do algodão em pluma (pagamento em 8 dias) avançou 3,83%, fechando em R$ 4,36 por libra-peso no dia 31 de agosto, o maior valor nominal desde 13 de julho de 2025, quando havia atingido R$ 4,37 por libra-peso. Especificamente nos últimos sete dias, o Indicador registra alta de 1,86%. A média mensal do Indicador CEPEA/ESALQ foi de R$ 4,23 por libra-peso em agosto, elevação de 3,17% em relação a julho/26 e a maior média real desde junho/25 (R$ 4,40 por libra-peso).
Na comparação com agosto de 2025, o aumento real foi de 4,03%, considerando-se os valores deflacionados pelo IGP-DI de julho/26. Em dólar, a média à vista do Indicador foi de 81,94 centavos de dólar por libra-peso em agosto, 3,8% abaixo da média do primeiro vencimento negociado na Bolsa de Nova York, de 85,18 centavos de dólar por libra-peso, e 14,3% inferior à média de 95,61 centavos de dólar por libra-peso do Índice Cotlook A, referência internacional para a pluma posta no Extremo Oriente. Entre 31 de julho e 31 de agosto, o Índice Cotlook A avançou significativos 14,14%, fechando a 101,30 centavos de dólar por libra-peso no dia 31 de agosto, o maior valor nominal desde 12 de março de 2024 (101,60 centavos de dólar por libra-peso). No mesmo período, a valorização de 2,13% do dólar frente ao Real também contribuiu para a alta expressiva de 16,9% da paridade de exportação (FAS).
Assim, a paridade ficou em R$ 4,57 por libra-peso (88,30 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Santos (SP) e em R$ 4,58 por libra-peso (88,50 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Paranaguá (PR), com base no Índice Cotlook A, referente à pluma posta no Extremo Oriente Na Bolsa de Nova York, os quatro primeiros contratos também subiram em agosto. Entre 31 de julho e 31 de agosto, o contrato Outubro/26 avançou 13,91%; o Dezembro/26, 13,88%; o Março/27, 14,13%; e o Maio/27, 14,04%. Vale considerar que, para o contrato mais líquido, o Dezembro/26, o encerramento de agosto, de 93,14 centavos de dólar por libra-peso, é o maior desde a sua abertura, em janeiro de 2024. No campo, a colheita da safra 2025/26 no Brasil alcançou 82% da área até 27 de agosto, segundo a Abrapa, avanço de 16% em relação à semana anterior.
Dentre os principais Estados produtores, Mato Grosso havia colhido 88% da área, enquanto na Bahia o percentual era de 57%. O beneficiamento, por sua vez, atingiu 39% da produção brasileira até a mesma data, avanço de 7% em comparação com 20 de agosto. Em Mato Grosso, o beneficiamento alcançou 22% da produção, e na Bahia, 38%. Segundo os últimos dados divulgados pelo Comitê Consultivo Internacional do Algodão (Icac), a produção mundial de algodão na safra 2026/27 está estimada em 26,2 milhões de toneladas, volume 3% inferior ao da temporada anterior. Essa estimativa resulta de uma área cultivada de 30,34 milhões de hectares, aumento de 0,56% em relação à safra 2025/26, e de uma produtividade de 863,49 Kg por hectare, que deve ser 3,55% menor que a da safra anterior. O consumo mundial foi projetado em 25,89 milhões de toneladas, apenas 0,24% maior do que o previsto para a safra 2025/26 e 1,15% abaixo da oferta global.
As exportações mundiais são estimadas em 9,66 milhões de toneladas, com retração de 1,65% em relação à temporada anterior. Sendo assim, os estoques finais mundiais devem atingir 18,23 milhões de toneladas, alta de 1,67% em relação à projeção para a safra 2025/26. Para o Brasil, o Icac estima que a área cultivada com algodão deve recuar 5,53%, para 2,05 milhões de hectares. Somado ao recuo de 2,86% na produtividade (1,9 toneladas por hectare), o volume produzido pode ser 8,24% inferior ao da safra 2025/26, ficando em 3,9 milhões de toneladas na temporada 2026/27. O consumo, por sua vez, pode ser 4,72% maior, atingindo 754 mil toneladas na safra 2026/27. No entanto, as exportações brasileiras podem recuar 7,39% em relação à safra anterior, para 3,12 milhões de toneladas na temporada 2026/27, ainda assim o segundo maior volume da série histórica. Nesse cenário, os estoques finais podem subir 2,23% na safra 2026/27, atingindo 1,24 milhão de toneladas. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.