03/Sep/2026
A comercialização de algodão segue lenta no mercado interno, com as indústrias bem abastecidas e cautelosas diante das incertezas relacionadas ao consumo. No mercado externo, as cotações permanecem voláteis em meio ao cenário geopolítico. Apesar do avanço da colheita da safra 2025/26 e do foco dos produtores no cumprimento de contratos, os preços domésticos ainda não sofrem pressão significativa. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) informou que, até 28 de agosto, a colheita de algodão da safra 2025/26 atingia 80,6% da área, avanço de 10,1% em relação à semana anterior. Na comparação com igual período da safra 2024/25, os trabalhos estão adiantados em 7,8%. Em relação à média dos últimos cinco anos, de 84,4%, há atraso de 3,8%. Mato Grosso, principal produtor da fibra, já havia colhido 95% da área semeada. Os negócios no mercado interno vêm ocorrendo próximos aos níveis do Indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
Há uma leve tendência de valorização, principalmente porque os preços domésticos permanecem abaixo da paridade de exportação. Em agosto, a cotação interna ficou, em média, 1,5% abaixo da paridade, após permanecer acima desse parâmetro durante sete meses consecutivos. No mercado externo, o cenário apresenta maior pressão. A pressão anterior esteve associada principalmente à melhora na qualidade das lavouras norte-americanas e à valorização do dólar ante outras moedas. Conforme o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), 39% da safra norte-americana estava em condição boa ou excelente até o dia 30 de agosto, avanço de 2% em relação à semana anterior. A queda registrada em setembro ocorre após forte valorização das cotações em agosto. O contrato dezembro acumulou alta de 13,88% no mês passado, encerrando a 93,14 centavos de dólar por libra-peso no dia 31.
No mesmo período, o Índice Cotlook A avançou 14,14%, enquanto a valorização do dólar ante o Real contribuiu para uma alta de 16,9% na paridade de exportação. A paridade é de R$ 4,57 por libra-peso no Porto de Santos (SP) e R$ 4,58 por libra-peso no Porto de Paranaguá (PR). Um fator que pode estimular maior movimentação nos mercados interno e externo é a valorização do petróleo, que tende a inibir a demanda por fibras sintéticas e favorecer o consumo de fibras naturais, como o algodão. A combinação entre vendedores firmes, oferta spot restrita e preços externos ainda elevados tem sustentado as cotações domésticas, embora a liquidez permaneça limitada. No curto prazo, a expectativa é de continuidade de um mercado cauteloso, com a indústria evitando a formação de estoques adicionais e os produtores mantendo maior poder de negociação enquanto os preços internos permanecerem abaixo da paridade de exportação. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.