09/Sep/2026
As cotações do algodão em pluma oscilam neste início de setembro, mas acumulam alta no mês. O avanço é sustentado pela postura firme de boa parte dos vendedores que estão ativos e pela oferta restrita no mercado spot nacional. De modo geral, os agentes têm priorizado o cumprimento de contratos a termo. Além disso, ainda há volume significativo de algodão da safra 2025/26 a ser beneficiado. No cenário externo, as novas quedas nos preços internacionais levaram agentes a adotarem postura mais cautelosa, postergando novas negociações, à espera de uma definição mais clara do mercado. Nesse contexto, a comercialização permanece pontual, também limitada pela dificuldade de acordo entre compradores e vendedores, tanto em relação aos preços quanto à qualidade. O Indicador CEPEA/ESALQ do algodão em pluma, com pagamento em 8 dias, registra alta de 0,80% nos últimos sete dias, cotado a R$ 4,39 por libra-peso. Cabe destacar que no dia 7 de setembro foi feriado no Brasil (Dia da Independência).
No dia 1º de setembro, especificamente, o Indicador atingiu R$ 4,44 por libra-peso, o maior valor nominal desde 2 de junho de 2025, quando havia sido de R$ 4,46 por libra-peso. Neste mês, a cotação interna segue abaixo da paridade de exportação (-2%, em média). A paridade de exportação (FAS) é de R$ 4,38 por libra-peso (85,57 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Santos (SP) e de R$ 4,40 por libra-peso (85,78 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Paranaguá (PR), com base no Índice Cotlook A, referente à pluma posta no Extremo Oriente. Na Bolsa de Nova York, os quatro primeiros contratos, que vinham apresentando altas consecutivas, voltaram a se enfraquecer no início deste mês. A pressão vem principalmente do posicionamento dos fundos, com movimentos de realização de lucros, e da resistência das fiações em acompanhar os patamares mais elevados de preços.
Além disso, a melhora das condições das lavouras norte-americanas e o enfraquecimento das exportações dos Estados Unidos também influenciam as recentes desvalorizações. Assim, o contrato Outubro/26 registra queda de 10,12% nos últimos sete dias; o Dezembro/26, 7,31%; o Março/27, 3,85%; e o Maio/27, 6,52%. Vale considerar que o dia 7 de setembro também foi feriado nos Estados Unidos (Dia do Trabalho). Os embarques brasileiros de algodão em pluma em agosto/26 totalizaram 106,35 mil toneladas, volume 31,4% inferior ao registrado em julho/26, mas 37,3% superior ao de agosto/25, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Os principais destinos foram Índia (25,6%), Paquistão (16,3%), Bangladesh (14,3%), Turquia (11,2%), Vietnã (11,1%), Malásia (7,2%), Egito (5,6%), Indonésia (5%) e China (2,3%). Observa-se, portanto, maior diversificação dos destinos em agosto.
Considerando-se o ano civil, de janeiro a agosto/26, os embarques somaram 2,075 milhões de toneladas. Mesmo faltando quatro meses para o encerramento deste ano, esse volume já é o quarto maior registrado em um ano completo da série histórica da Secex. Embora a China tenha aparecido em nono lugar dentre os principais destinos em agosto, na parcial de 2026 o país asiático ainda ocupa a primeira posição no ranking, representando 20,1% dos embarques brasileiros. Na sequência, aparecem Bangladesh (17,4%), Turquia (14%), Paquistão (13,5%), Vietnã (12,1%), Índia (8,7%) e Indonésia (6,3%). Quanto aos preços, a média das exportações em agosto/26 foi de 76,66 centavos de dólar por libra-peso, recuo de apenas 0,2% frente a julho/26, mas elevação de 6% em relação a agosto/25. Em moeda nacional, a média foi de R$ 3,95 por libra-peso, 6,7% inferior à praticada no mercado spot doméstico, de R$ 4,23 por libra-peso. Trata-se do sexto mês consecutivo de vantagem do mercado interno. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.