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10/Sep/2026

Déficit global de algodão sustenta preços futuros

O mercado internacional de algodão entra em setembro com fundamentos mais construtivos, sustentados pelo aumento do déficit global projetado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e pelos riscos climáticos nas principais regiões produtoras. No Brasil, contudo, a reação das cotações permanece limitada pela demanda doméstica enfraquecida, pela dificuldade de repasse de custos à cadeia têxtil e pela preferência dos vendedores por contratos a termo. O USDA revisou o consumo mundial de algodão para 26,76 milhões de toneladas na safra 2026/27, maior volume dos últimos seis anos, enquanto a produção global foi estimada em 25,61 milhões de toneladas. Com o consumo superior à produção, o déficit projetado aumentou para cerca de 1,15 milhão de toneladas, enquanto a relação estoque/consumo se aproxima de 57%, um dos menores níveis dos últimos anos.

As revisões positivas para Brasil, Grécia e Turquia compensaram parcialmente a redução da produção norte-americana, estimada em 2,96 milhões de toneladas, em função da menor produtividade esperada, apesar da expansão da área cultivada. O Banco do Brasil avalia que o mercado apresenta viés construtivo para os preços diante da combinação de estoques mais ajustados e riscos climáticos relevantes nos principais países produtores. Nos Estados Unidos, o relatório semanal de Progresso de Safra do USDA mostrou queda de 5% na parcela das lavouras em condição boa ou excelente, para 34%, ante 55% no mesmo período de 2025. O indicador Brugler500 recuou seis pontos, para 398. O Monitor da Seca aponta que 59% das áreas norte-americanas de cultivo de algodão enfrentam estresse hídrico, com o Texas concentrando as principais preocupações.

Os impactos do clima sobre o mercado internacional devem ocorrer principalmente por meio da evolução da safra dos Estados Unidos e das condições produtivas na Ásia, especialmente em Xinjiang, região responsável por cerca de 93% da produção chinesa. A China permanece como importante componente do balanço global. O país importou cerca de 1,49 milhão de toneladas de algodão na temporada 2025/26, alta de 38% ante o ciclo anterior, com o Brasil como principal fornecedor. Os leilões de estoques governamentais iniciados em julho registraram forte procura e venda integral dos volumes ofertados nos primeiros pregões, evidenciando o interesse das fiações chinesas e contribuindo para limitar a alta dos preços internos. Na Bolsa de Nova York, os contratos futuros refletem a combinação de fundamentos mais favoráveis. O vencimento dezembro é sustentado pela deterioração das condições das lavouras, pela alta do petróleo e pela redução dos estoques certificados.

A alta do petróleo WTI eleva a competitividade relativa das fibras naturais diante das sintéticas. O USDA informou que os exportadores venderam 27,5 mil fardos na semana encerrada em 27 de agosto, menor volume do ano comercial e queda de 71% ante a semana anterior. No mercado interno, o Indicador Esalq/USP, com pagamento em 8 dias alcançou, em 1º de setembro, R$ 4,44 por libra-peso, maior valor nominal desde 2 de junho de 2025. As cotações domésticas oscilaram no início de setembro, mas acumulam alta no mês, sustentadas pela postura firme dos vendedores e pela oferta restrita no mercado spot. A cotação doméstica permanece, em média, 2% abaixo da paridade de exportação no início do mês. A paridade de exportação na condição FAS é de R$ 4,38 por libra-peso no Porto de Santos (SP) e R$ 4,40 por libra-peso no Porto de Paranaguá (PR), com base no Índice Cotlook A, referente à pluma colocada no Extremo Oriente.

No Brasil, a colheita alcançava 80,6% da área nacional, com Mato Grosso em 95%, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). As exportações brasileiras somaram 106,35 mil toneladas em agosto, queda de 31,4% ante julho, mas alta de 37,3% na comparação com agosto de 2025, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). De janeiro a agosto, os embarques totalizaram 2,075 milhões de toneladas, quarto maior volume da série histórica para o período, com a China como principal destino, respondendo por 20,1% do total. A demanda doméstica permanece como o principal ponto de fragilidade para o mercado brasileiro. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram queda de 6,8% na fabricação de produtos têxteis em julho, ante o mesmo mês de 2025, e retração de 3,9% no acumulado de 2026. Na fabricação de artigos do vestuário e acessórios, a produção recuou 8,2% na comparação anual. O quadro indica que uma recuperação mais consistente da demanda por algodão ainda depende de melhora mais ampla no consumo de produtos manufaturados. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.