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11/Sep/2026

MT: custo total supera receita na safra 2026/2027

De acordo com o Projeto Custo de Produção Agropecuário de Mato Grosso (CPA-MT), realizado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT) em parceria com o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), o algodão deve permanecer entre as culturas com maior geração de resultado por hectare em Mato Grosso na safra 2026/27, mas a atividade apresenta resultado negativo quando considerado todo o capital empregado na produção. A projeção para o custo total é de R$ 18.670,27 por hectare, acima da receita bruta estimada em R$ 17.520,83 por hectare. A diferença entre receita e custo total ocorre mesmo com a redução das despesas diretamente relacionadas à lavoura. O custeio do algodão está estimado em R$ 10.269,11 por hectare, queda de 1,36% ante a safra anterior, enquanto o Custo Operacional Efetivo (COE) deve recuar 0,60%, para R$ 16.224,48 por hectare.

As reduções são explicadas principalmente pela queda de 2,17% nas despesas com defensivos e de 29,32% nos gastos com operações mecanizadas. O principal fator de pressão sobre o custo total é o custo de oportunidade do capital, que considera o retorno que os recursos aplicados em máquinas, estruturas, insumos e demais ativos poderiam gerar em outras alternativas de investimento. Esse componente tem peso elevado no algodão em razão da necessidade de maior volume de capital por hectare. O custo total deve crescer 1,10% e alcançar o maior nível das últimas três safras. Apesar do custo total superar a receita bruta, o resultado operacional permanece positivo. O Lajida, indicador que mede o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, foi projetado em R$ 3.204,17 por hectare, considerando produtividade de 122,52 arrobas por hectare. Na comparação do CPA-MT, o algodão mantém a maior rentabilidade entre as culturas avaliadas pelo indicador.

A projeção, entretanto, apresenta maior grau de incerteza porque o Imea ainda não dispõe de uma estimativa própria de produtividade do algodão para a safra 2026/27. Para calcular a receita, o instituto utilizou como referência a produtividade média das últimas três safras. Dessa forma, tanto a receita bruta quanto o Lajida poderão sofrer alterações à medida que novas informações sobre rendimento das lavouras e condições de mercado forem incorporadas. O cenário climático também acrescenta risco ao resultado. Como parcela relevante do algodão é cultivada em 2ª safra, o desenvolvimento da cultura depende do andamento e da colheita da soja que a antecede. Em um cenário de El Niño, o Imea recomenda atenção à janela de semeadura e ao regime de chuvas, uma vez que eventuais perdas de produtividade poderiam reduzir o resultado projetado. A comercialização da safra 2026/27 também apresenta avanço antes do início da próxima temporada.

Em agosto, o percentual negociado estava 39,34% acima da média das últimas cinco safras. O documento não informa, nesse trecho, o percentual absoluto comercializado, apenas a diferença em relação à média histórica. Para a safra 2025/26, 75,52% da produção estimada já havia sido negociada, 7,15% acima do registrado em igual período do ciclo anterior. Nos preços, a pluma da safra 2025/26 foi negociada, em média, a R$ 139,53 por arroba em agosto, alta de 6,69% ante julho. A recuperação recente foi associada principalmente à valorização das cotações na Bolsa de Nova York, em meio às incertezas sobre a produção norte-americana. Para a safra 2026/27, o preço médio alcançou R$ 138,52 por arroba em agosto, avanço mensal de 6,77%, embora as cotações tenham permanecido abaixo dos níveis observados nas últimas safras durante o período de negociação. O desempenho da safra 2025/26 ajuda a dimensionar a mudança no setor em Mato Grosso.

A área cultivada foi estimada em 1,37 milhão de hectares, queda de 11,18%, interrompendo cinco ciclos consecutivos de expansão. Apesar da redução da área, a produtividade pode alcançar 323,37 arrobas por hectare, alta de 2,62% ante 2024/25 e, caso confirmada, a maior da série histórica do Imea. A produção de algodão em caroço está estimada em 6,37 milhões de toneladas, queda de 8,86%, principalmente em razão da retração da área. Para 2026/27, o Lajida projetado de R$ 3.204,17 por hectare é o menor desde 2022/23 e fica 28,21% abaixo da média das últimas cinco safras. Ainda assim, o indicador permanece superior ao registrado pelas demais culturas comparadas no levantamento. O cenário evidencia que, embora o algodão continue apresentando elevada geração operacional por hectare, a combinação entre elevado requerimento de capital, custo de oportunidade e incertezas sobre produtividade reduz a rentabilidade econômica quando considerada a totalidade dos custos da atividade. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.