23/Sep/2026
As pequenas encomendas em sites internacionais de comércio eletrônico dispararam após o fim da cobrança da chamada ‘taxa das blusinhas’, correspondente ao Imposto de Importação sobre compras de até US$ 50,00. A média de 15,4 milhões de remessas nos quatro primeiros meses de 2026 aumentou para 20 milhões em maio, mês em que a cobrança foi zerada, alcançou 28 milhões em junho e permaneceu acima de 26 milhões em julho e agosto. O Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50,00, anteriormente fixado em 20%, foi zerado em maio por meio de medida provisória aprovada pelo Congresso Nacional e posteriormente convertida em lei, sancionada em 10 de setembro. Em valores, as compras passaram de uma média mensal de US$ 308 milhões entre janeiro e abril para US$ 520 milhões nos quatro meses seguintes. Os dados correspondem às remessas internacionais declaradas e foram extraídos dos levantamentos do programa Remessa Conforme, criado para combater a sonegação fiscal nas compras internacionais.
A análise é acompanhada pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), que representa o setor de vestuário, um dos mais expostos à concorrência de produtos estrangeiros, especialmente chineses, comercializados por plataformas como Shopee, AliExpress e Shein. Em agosto, foram declaradas 26,5 milhões de remessas internacionais, alta de 74% ante as 15,2 milhões registradas em agosto de 2025. Em valor, as compras aumentaram de US$ 294 milhões para US$ 526 milhões no período de um ano, avanço de 79%. A Abit defende a adoção de equivalência tributária e regulatória entre produtos nacionais e importados diante do crescimento das compras internacionais após o fim da taxa. A indústria brasileira concorre com mercadorias estrangeiras que, especialmente nas remessas de até US$ 50,00, recebem tratamento tributário mais favorável e não estão submetidas aos mesmos controles e normas trabalhistas, ambientais, sanitárias e de segurança aplicados à produção nacional
A associação relaciona o aumento das remessas à expansão das importações convencionais e à retração do mercado interno, fatores que pressionam a produção, o emprego e as decisões de investimento da indústria têxtil e de confecção. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referentes a julho mostram queda de 6,8% na produção têxtil e de 8,2% na confecção em relação ao mesmo mês do ano anterior. A Abit também aponta que outras importantes economias vêm reforçando a fiscalização sobre plataformas internacionais e adotando medidas de proteção às bases produtivas diante da existência de grandes excedentes globais. O aumento das importações em um ambiente de menor produção doméstica pode deslocar para o exterior investimentos, renda, arrecadação e empregos vinculados à cadeia têxtil e de confecção. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.