23/Sep/2026
A melhora dos fundamentos internacionais tende a continuar dando suporte aos preços do algodão na Bolsa de Nova York, mas apenas parte dessa valorização deve ser capturada pelo produtor brasileiro, diante da elevada disponibilidade de pluma no mercado doméstico e da pressão sobre o basis. O cenário internacional é mais favorável, enquanto a ampla oferta no Brasil limita o repasse da alta externa para as cotações internas. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção mundial de algodão na safra 2026/27 está estimada em 25,5 milhões de toneladas, abaixo do consumo projetado em 26,8 milhões de toneladas. Como consequência, os estoques globais devem recuar de 16,4 milhões para 15,2 milhões de toneladas. O balanço tende a ser ainda mais ajustado quando são excluídas as reservas chinesas, que apresentam menor participação na oferta disponível para o comércio internacional.
A menor produção nos Estados Unidos e na China, combinada à perspectiva de crescimento do consumo mundial, constitui fator de sustentação para os preços na Bolsa de Nova York. Nos Estados Unidos, o USDA reduziu a estimativa de produção para 2,87 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais foram projetados em 780 mil toneladas. No Brasil, a dinâmica de preços é diferente. Entre o início de julho e a primeira quinzena de setembro, o algodão em Nova York acumulou valorização superior a 8%, enquanto a cotação em Rondonópolis (MT) avançou 6,4%, para R$ 4,04 por libra-peso. A maior disponibilidade de pluma no mercado doméstico aumentou a oferta para as tradings e pressionou o diferencial entre os preços internos e externos, reduzindo o repasse da valorização observada na Bolsa de Nova York. Para a safra 2026/27, essa dinâmica poderá permanecer caso o Brasil volte a ampliar a área cultivada e registre uma boa produção.
Nesse cenário, a tendência de alta indicada pelo mercado internacional poderá coexistir com um basis doméstico mais descontado em razão da oferta elevada de algodão no País. A demanda representa um dos principais riscos para a sustentação dos preços. Uma desaceleração mais acentuada da economia mundial pode reduzir o consumo de produtos têxteis e limitar a demanda pela fibra. O comportamento do petróleo também constitui fator relevante. Preços elevados da commodity reduzem a competitividade das fibras sintéticas em relação ao algodão, enquanto uma eventual queda do petróleo pode favorecer o poliéster e limitar o avanço da demanda por fibras naturais. Esses fatores também são apontados pelo Radar Agro entre os principais riscos baixistas para o mercado de algodão na safra 2026/27. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.