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23/Sep/2026

Preços do algodão pressionados no mercado interno

A cotação do algodão em pluma registra queda nos últimos dias e voltou a operar abaixo de R$ 4,30 por libra-peso. Esse cenário está relacionado à postura mais flexível de parte dos vendedores, que, por sua vez, tem acompanhado a retração recente da paridade de exportação. Do lado da demanda, as indústrias demonstram pouco interesse em novas aquisições e, em alguns casos, ofertam valores inferiores aos praticados anteriormente. Nesse cenário, as empresas seguem utilizando a matéria-prima em estoque e recebendo volumes contratados anteriormente. Além disso, o ritmo de vendas de produtos manufaturados permanece enfraquecido, o que limita a necessidade de novas compras de pluma. Assim, as negociações seguem pontuais no mercado spot nacional, ao mesmo tempo em que agentes continuam priorizando o cumprimento dos contratos a termo direcionados tanto ao mercado interno como ao externo.

O Indicador CEPEA/ESALQ do algodão em pluma, com pagamento em 8 dias, registra queda de 3,35% nos últimos sete dias, cotado a R$ 4,22 por libra-peso. Na parcial de setembro, o Indicador acumula baixa de 3,13%. Ainda assim, na parcial do mês, a cotação interna está, em média, 0,5% acima da paridade de exportação. A paridade de exportação (FAS) é de R$ 4,10 por libra-peso (80,28 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Santos (SP) e de R$ 4,11 por libra-peso (80,49 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Paranaguá (PR), com base no Índice Cotlook A, referente à pluma posta no Extremo Oriente. Na Bolsa de Nova York, os quatro primeiros contratos estão em baixa por mais uma semana, influenciados pelas menores exportações norte-americanas e pela retração no valor do petróleo no mercado internacional. Nos últimos sete dias, o contrato Outubro/26 registra recuo de 0,98%; o Dezembro/26, de 1,34%; o Março/27, de 1,19%; e o Maio/27, de 1,19%.

Em 13 dias úteis de setembro/26, de acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), os embarques brasileiros de algodão em pluma somaram 122,3 mil toneladas. Esse volume já supera em 15% o total exportado em todo o mês de agosto/26, mas ainda está 31,6% inferior a set/25, quando o total havia sido de 178,8 mil toneladas. A média diária atingiu 9,4 mil toneladas, 15,8% acima das 8,13 mil toneladas observadas no mesmo período do ano passado. Considerando-se o ano civil (de janeiro até a parcial de setembro/26), o Brasil exportou 2,2 milhões de toneladas. Quanto aos preços, a média das exportações na parcial de setembro/26 está em 78,63 centavos de dólar por libra-peso, avanços de 2,6% frente à média de agosto/26 e de 6,7% na comparação com setembro/25. Em moeda nacional, a média equivale a R$ 4,03 por libra-peso, 4,9% inferior à praticada no mercado spot doméstico, de R$ 4,23 por libra-peso.

Até o momento, trata-se do sétimo mês consecutivo que os preços nacionais operam acima dos valores das exportações efetivas. No campo, a colheita da safra 2025/26 no Brasil alcançou 96% da área até 17 de setembro, segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), avanço de apenas 2% em relação à semana anterior. Dentre os principais Estados produtores, a colheita já foi encerrada na maioria das regiões. Em Minas Gerais, os trabalhos alcançaram 94% da área, enquanto, na Bahia, 82% da área já foi colhida. O beneficiamento, por sua vez, atingiu 44% da produção brasileira até a mesma data, avanço de 4% em comparação com 10 de setembro. Dentre os Estados, os percentuais foram de 39% em Mato Grosso, 42% no Maranhão, 50% no Piauí, 52% na Bahia, 60% em Mato Grosso do Sul, 63% em Goiás, 63% em Minas Gerais e 98% em São Paulo; no Paraná, o beneficiamento já foi finalizado. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.