ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

24/Sep/2026

Brasil mantém competitividade ante EUA no algodão

O algodão produzido no Brasil mantém vantagem de custo em relação a importantes concorrentes internacionais, especialmente os Estados Unidos, mesmo diante do aumento dos preços dos fertilizantes. Para a safra 2026/27, a expectativa inicial de redução dos custos foi interrompida pelo encarecimento dos adubos, principalmente dos fosfatados, mas a relação entre os preços do algodão e dos insumos melhorou em comparação com a safra anterior e com o primeiro semestre de 2026. No médio-norte de Mato Grosso, o custo de produção do algodão de 2ª safra é estimado pela Agroconsult em R$ 14.610,00 por hectare em 2026/27, alta de 1,7% ante os R$ 14.367,00 por hectare projetados para 2025/26 e de 11,3% em relação aos R$ 13.130,00 por hectare de 2024/25. O cálculo considera desembolso e depreciação, mas não inclui despesas gerais e administrativas nem arrendamento. Os gastos com fertilizantes devem aumentar de R$ 3.195,00 para R$ 3.441,00 por hectare entre 2025/26 e 2026/27, acréscimo de R$ 246,00 por hectare. No mesmo intervalo, o custo total aumenta R$ 24300 por hectare.

Em relação a 2024/25, a despesa com fertilizantes acumula alta de 27,6%. Os fosfatados respondem por 51% do gasto com adubos, seguidos pelos nitrogenados, com 29%, e pelos potássicos, com 20%. Parte dos fertilizantes já devolveu a valorização registrada após os conflitos internacionais ocorridos neste ano, principalmente a ureia e o cloreto de potássio. Os fosfatados, contudo, continuam pressionados pelo aumento do preço do enxofre, matéria-prima utilizada em sua fabricação. O MAP está cotado a US$ 858,30 por tonelada no Brasil. A ureia, em US$ 430,80 por tonelada, após atingir US$ 775,00 por tonelada neste ano, enquanto o cloreto de potássio está cotado a US$ 393,30 por tonelada e o superfosfato simples (SSP), a US$ 250,80 por tonelada. Apesar da elevação dos custos absolutos, a recuperação dos preços do algodão melhorou a relação de troca com os insumos. A condição econômica do produtor é considerada mais favorável do que no primeiro semestre de 2026 e em relação à safra passada, indicando melhora dos custos relativos da atividade.

A combinação entre preços da fibra e dos fertilizantes, portanto, reduziu parte da pressão sobre as margens, mesmo com o custo operacional permanecendo elevado. A competitividade brasileira também aparece na comparação internacional do ponto de equilíbrio. Sem considerar o arrendamento, o algodão de 2ª safra no médio-norte de Mato Grosso apresenta ponto de equilíbrio de 48,00 centavos de dólar por libra-peso. No algodão de 1ª safra de sequeiro no oeste da Bahia, o nível é de 44,00 centavos de dólar por libra-peso. Nos Estados Unidos, o ponto de equilíbrio chega a 55,00 centavos de dólar por libra-peso no Delta do Mississippi e a 67,00 centavos de dólar por libra-peso no Texas. Na Austrália, o algodão irrigado apresenta 42,00 centavos de dólar por libra-peso, o menor valor entre as regiões comparadas. Para Brasil e Austrália, os dados apresentados referem-se à safra 2025/26. Com a inclusão do arrendamento, o ponto de equilíbrio sobe para 53,00 centavos de dólar por libra-peso em Mato Grosso e 48,00 centavos de dólar por libra-peso na Bahia.

Nos Estados Unidos, passa para 69,00 centavos de dólar por libra-peso no Delta do Mississippi e 77,00 centavos de dólar por libra-peso no Texas. Na Austrália, alcança 48,00 centavos de dólar por libra-peso. O arrendamento também representa parcela relevante dos custos de produção nos Estados Unidos e na Austrália, reduzindo a diferença observada quando essa despesa é excluída. A comparação internacional, contudo, não contempla todas as despesas da atividade. Ficam de fora custos gerais, administrativos, financeiros e comerciais, além do custo financeiro relacionado aos investimentos necessários à produção de algodão. Os indicadores têm como objetivo dimensionar a competitividade relativa dos diferentes sistemas produtivos e não representam o custo total da atividade. Mesmo com o aumento dos custos, a projeção é de rentabilidade positiva para o algodão brasileiro em 2026/27.

No algodão de 2ª safra do médio-norte de Mato Grosso, o resultado estimado equivale a 39 arrobas de pluma por hectare, abaixo das 43 arrobas por hectare registradas nas projeções para 2024/25 e 2025/26, mas acima das 23 arrobas por hectare de 2023/24. O cálculo considera desembolso e depreciação, sem incluir despesas gerais e administrativas e arrendamento. A produtividade elevada registrada na safra atual contribuiu para preservar a rentabilidade mesmo diante do aumento dos custos. Para 2026/27, a manutenção de níveis elevados de produtividade poderá compensar parte da pressão dos fertilizantes e sustentar um resultado econômico favorável. O nível projetado, embora inferior ao das duas safras anteriores, permanece acima do observado em 2023/24 e mantém o algodão brasileiro em posição competitiva no mercado internacional. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.