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24/Sep/2026

Oferta elevada limita alta no mercado doméstico

O mercado internacional de algodão mantém fundamentos positivos, sustentados pela perspectiva de aperto na oferta global, o que favorece as cotações futuras na Bolsa de Nova York. No Brasil, entretanto, a elevada disponibilidade de pluma limita o repasse dessa valorização ao produtor, com pressão sobre o basis doméstico e redução da paridade de exportação. O Indicador Cepea/Esalq do algodão em pluma, com pagamento em 8 dias, registra queda de 3,78% na parcial de setembro. Parte dos vendedores passou a adotar postura mais flexível diante da retração da paridade de exportação, enquanto as indústrias demonstram menor interesse por novas aquisições e, em alguns casos, apresentam ofertas abaixo dos valores anteriormente praticados. Entre o início de julho e a primeira quinzena de setembro, o algodão em Nova York acumulou valorização superior a 8%, enquanto o preço em Rondonópolis (MT) avançou 6,4%, para R$ 4,04 por libra-peso.

A maior disponibilidade de pluma no mercado interno ampliou o conforto das tradings nas negociações e pressionou o diferencial doméstico, reduzindo o impacto da alta externa sobre as cotações ao produtor. Na Bolsa de Nova York, os contratos futuros operam em alta. O movimento conta com suporte do petróleo, cuja valorização reduz a competitividade das fibras sintéticas. Nos Estados Unidos, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou que o descaroçamento somou 429,25 mil fardos até 15 de setembro, queda de 8% ante igual período do ano anterior. Apenas 34% das lavouras estavam em condição boa ou excelente, sendo 15% no Texas, enquanto a colheita havia alcançado 13% da área e a abertura de capulhos, 65%. A paridade de exportação (FAS) é de R$ 4,10 por libra-peso no Porto de Santos (SP) e de R$ 4,11 por libra-peso no Porto de Paranaguá (PR).

A queda foi influenciada pelo recuo de 6,01% do Índice Cotlook A, para 92,30 centavos de dólar por libra-peso. Apesar da redução da paridade, a cotação doméstica permanece, em média, 0,5% acima desse parâmetro na parcial de setembro. No Brasil, a colheita da safra 2025/26 alcançou 96% da área até 17 de setembro, segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), enquanto o beneficiamento atingiu 44% da produção. Nas exportações, foram embarcadas 122,3 mil toneladas nos 13 dias úteis de setembro, volume 15% superior ao total de agosto, mas 31,6% inferior ao registrado em setembro de 2025. Para a safra 2026/27, o Itaú BBA projeta área recorde no Brasil, potencialmente superior aos 2,2 milhões de hectares registrados na temporada 2024/25.

A produção, porém, é estimada em 4,2 milhões de toneladas, 5% abaixo dos 4,4 milhões de toneladas projetados pela Agroconsult para o ciclo atual, em razão da dificuldade de repetir os níveis excepcionais de produtividade observados na temporada anterior. Mesmo com menor produção, a projeção é de novo recorde de exportações, de 3,5 milhões de toneladas. A rentabilidade da atividade apresenta melhora. A margem agrícola para o algodão de 2ª safra em Mato Grosso passou de 26% em abril para 38% em agosto. O levantamento do projeto Custo de Produção Agropecuário de Mato Grosso (CPA-MT), do Senar-MT e do Imea, entretanto, mostra que o preço médio negociado até agosto, de R$ 129,67 por arroba, permanecia abaixo dos R$ 147,47 por arroba necessários para cobrir o custo total da safra. A melhora da margem, portanto, depende também da manutenção de produtividade elevada.

Entre os principais riscos para o mercado estão uma desaceleração mais intensa da economia mundial, com potencial impacto sobre o consumo têxtil, e uma eventual queda do petróleo, que aumentaria a competitividade do poliéster em relação à fibra natural. No campo, o principal ponto de atenção está na 2ª safra, cuja implantação depende do ritmo de plantio da soja e das condições climáticas associadas ao El Niño, fenômeno previsto pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) para permanecer ativo pelo menos até abril de 2027. O cenário para o algodão combina, portanto, fundamentos internacionais favoráveis e perspectiva de demanda externa elevada com uma condição doméstica de ampla oferta, que limita o repasse das altas de Nova York. Para 2026/27, a expansão da área cultivada e a expectativa de novo recorde de exportações sustentam perspectivas positivas para o setor, mas a evolução da produtividade, dos custos e do basis será determinante para a formação das margens dos produtores. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.