07/Oct/2026
Os preços da pluma recuaram no acumulado de setembro, mas a média mensal ainda é a maior desde junho de 2025, em termos reais. A retração em setembro esteve atrelada às baixas dos preços internacionais e da paridade de exportação, sobretudo na segunda quinzena. Entre 31 de agosto e 30 de setembro, o Indicador CEPEA/ESALQ do algodão em pluma, com pagamento em 8 dias, recuou 4,37%, fechando em R$ 4,17 por libra-peso no dia 30 de setembro. Apesar da retração ao longo do mês, a cotação interna ainda ficou, em média, 0,3% acima da paridade de exportação em setembro/26. Por outro lado, a média mensal do Indicador CEPEA/ESALQ foi de R$ 4,30 por libra-peso em setembro, alta de 1,46% frente à média de agosto/26 e a maior, em termos reais, desde junho/25, quando havia sido de R$ 4,40 por libra-peso.
Em comparação com setembro de 2025, o aumento real foi de 13,42%, considerando os valores deflacionados pelo IGP-DI de agosto/26. Em dólar, a média à vista do Indicador foi de 83,36 centavos de dólar por libra-peso em setembro, 3% acima da média do primeiro vencimento negociado na Bolsa de Nova York, de 80,92 centavos de dólar por libra-peso, mas 12,7% abaixo da média de 95,46 centavos de dólar por libra-peso do Índice Cotlook A, referência internacional para a pluma posta no Extremo Oriente. Em setembro, agentes deram prioridade ao cumprimento de contratos a termo, tanto para o mercado interno quanto para o externo. As exportações brasileiras, por sua vez, seguiram apresentando bom ritmo. A demanda doméstica, por sua vez, permaneceu limitada, levando parte dos vendedores a flexibilizar as ofertas para fechar novos negócios.
Os compradores estiveram focados principalmente na aquisição de volumes para atender às necessidades de curto prazo. As indústrias também continuaram utilizando estoques e matéria-prima já contratada, reduzindo o interesse por novas compras no mercado spot. Esse comportamento ainda está relacionado ao ritmo lento das vendas de produtos manufaturados. A maior disponibilidade da pluma também esteve no radar dos agentes. Com o avanço do beneficiamento da temporada 2025/26, a oferta aumentou, enquanto a demanda não teve reação suficiente para absorver os volumes disponíveis. Além disso, a distância entre os valores ofertados por compradores e vendedores continuou limitando a liquidez em setembro. A paridade de exportação (FAS) recuou 8% entre 31 de agosto e 30 de setembro, encerrando o período em R$ 4,20 por libra-peso (81,24 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Santos (SP) e em R$ 4,21 por libra-peso (81,44 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Paranaguá (PR).
A pressão veio da retração de 7,85% do Índice Cotlook A, que fechou setembro a 93,35 centavos de dólar por libra-peso, e da desvalorização de 0,17% do dólar frente ao Real no mesmo período, para R$ 5,17 no dia 30 de setembro. Na Bolsa de Nova York (ICE Futures), os quatro primeiros contratos registraram quedas expressivas. Entre 31 de agosto e 30 de setembro, o contrato Outubro/26 recuou 18,44%; o Dezembro/26, 15,7%; o Março/27, 14,46%; e o Maio/27, 13,68%. Segundo os últimos dados divulgados pelo Comitê Consultivo Internacional do Algodão (Icac), a produção mundial de algodão na safra 2026/27 está estimada em 25,94 milhões de toneladas, quedas de 0,98% frente ao relatório anterior e de 3,85% em relação à temporada 2025/26. A projeção considera área cultivada de 30,23 milhões de hectares, com redução de 0,37% no comparativo mensal, mas aumento de 0,37% frente à safra anterior.
A produtividade é estimada em 858,19 Kg por hectare, com recuos de 0,61% no mês e de 4,2% no ano. Para o consumo mundial, o Icac projeta 26,14 milhões de toneladas, altas de 0,95% em relação à estimativa anterior e de 1,24% em relação à safra 2025/26. Com isso, o consumo supera a produção global em 0,77%. As exportações mundiais estão estimadas em 9,7 milhões de toneladas, avanço de 0,41% no comparativo mensal, mas queda de 1,71% frente à temporada anterior. Diante desse cenário, os estoques finais mundiais devem totalizar 17,5 milhões de toneladas, recuos de 4% em relação à projeção anterior e de 1,14% em relação à safra 2025/26. Quanto aos preços, o Icac estima que o Índice Cotlook A fique, em média, em 80,00 centavos de dólar por libra-peso na safra 2026/27, com projeções variando entre 65,00 e 99,00 centavos de dólar por libra-peso. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.