21/Oct/2026
A comercialização de algodão em pluma segue pontual nos últimos dias, com agentes priorizando o cumprimento de contratos a termo e com divergências entre compradores e vendedores limitando novos negócios. Além disso, incertezas quanto ao cenário político têm levado parte dos agentes a aguardar maior clareza para definir os próximos movimentos comerciais. De um lado, a maior disponibilidade de pluma e a postura cautelosa dos compradores pressionaram as cotações em alguns momentos. De outro, a firmeza dos vendedores e a procura por lotes de qualidades específicas sustentaram leves altas, mas que foram insuficientes para reverter as perdas anteriores. O Indicador CEPEA/ESALQ do algodão em pluma, com pagamento em 8 dias, registra leve recuo de 0,21% nos últimos sete dias, a R$ 4,07 por libra-peso. Na parcial de outubro, a queda acumulada é de 2,29%.
Ainda assim, a cotação interna permanece, em média, 3,5% acima da paridade de exportação no mês. A paridade de exportação (FAS) é de R$ 3,99 por libra-peso (79,20 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Santos (SP) e de R$ 4,00 por libra-peso (79,41 centavos de dólar por libra-peso) no Porto de Paranaguá (PR), com base no Índice Cotlook A, referente à pluma posta no Extremo Oriente. Na Bolsa de Nova York, os quatro primeiros vencimentos são pressionados pela melhora nas condições das lavouras norte-americanas e pelo enfraquecimento das vendas apontado no último relatório de acompanhamento das exportações dos Estados Unidos. Nos últimos sete dias, o contrato Dezembro/26 registra recuo de 0,58%; o Março/27, 0,45%; o Maio/27, 0,46%; e o Julho/27, 0,43%. Os embarques brasileiros de algodão em pluma ganharam ritmo em outubro.
De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), nos 11 primeiros dias úteis do mês, a média diária atingiu 14,36 mil toneladas, 7,51% acima das 13,36 mil toneladas diárias registradas em outubro/25. No total da parcial do mês, foram exportadas 158 mil toneladas, volume ainda 17,5% inferior ao total embarcado em setembro/26 (191,5 mil toneladas) e 46,2% abaixo do de outubro/25 (294 mil toneladas). Mantido o ritmo atual, contudo, o Brasil pode embarcar cerca de 300 mil toneladas neste mês. A produção brasileira de algodão em pluma pode atingir o recorde de 4,16 milhões de toneladas na safra 2026/27, segundo a primeira estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgada em 15 de outubro. O resultado reflete o aumento de 3,7% na área, prevista em 2,093 milhões de hectares, que deve compensar a retração de 3,3% na produtividade, projetada em 1.986 Kg por hectare.
A decisão de ampliar a semeadura está associada à rentabilidade do algodão em relação às demais culturas e à busca por maior valor agregado, em um contexto de incertezas climáticas relacionadas ao El Niño. Dentre os principais Estados produtores, Mato Grosso deve colher 2,83 milhões de toneladas de pluma, 1% a mais que na safra anterior, já que o avanço de 3,4% na área, para 1,43 milhão de hectares, tende a compensar a queda de 2,3% na produtividade, estimada em 1.976 Kg/ha. Na Bahia, ao contrário, a produção deve recuar 2,9%, para 904,2 mil toneladas: o aumento de 3,3% na área, para 439,1 mil hectares, não deve ser suficiente para compensar a retração de 6% na produtividade, para 2.059 Kg/ha. Do lado da demanda, a Conab estima o consumo doméstico em 745 mil toneladas, ligeiramente acima das 740 mil toneladas da safra anterior, e as exportações em 3,41 milhões de toneladas, em linha com o volume de 2025/26 (3,42 milhões de toneladas). Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.