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23/Oct/2026

E-commerce: chinesas ampliam ofensiva no Brasil

O fim do imposto federal sobre compras internacionais de até US$ 50,00, conhecido como “taxa das blusinhas”, voltou a estimular o interesse de empresas chinesas pelo comércio eletrônico brasileiro. Segundo apuração do NeoFeed, delegações de empresários da China têm intensificado as visitas ao Brasil em busca de parceiros locais, avaliação de meios de pagamento, canais de atacado e informações sobre o sistema tributário nacional. A estratégia inicial das empresas é operar no modelo de comércio eletrônico transfronteiriço (cross-border), com vendas diretas aos consumidores brasileiros por meio de plataformas como TikTok Shop, Shopee, Mercado Livre e Temu.

Em uma das visitas ao País, mais de 20 empresários de segmentos como tecnologia, moda, casa, beleza e saúde representaram companhias chinesas ainda pouco conhecidas no mercado brasileiro, embora algumas já registrem faturamento na faixa de US$ 100 milhões. O movimento também é impulsionado pelo aumento das restrições aos produtos chineses nos Estados Unidos, fator que estimula a busca por mercados alternativos para expansão comercial. No Brasil, o interesse das empresas asiáticas ocorre em um cenário de mudanças na tributação das compras internacionais e de incerteza sobre a orientação que um eventual governo de Flávio Bolsonaro adotaria para as relações comerciais com a China. O mercado brasileiro de comércio eletrônico transfronteiriço movimentou US$ 8 bilhões em 2025, segundo dados da Mordor Intelligence. O volume evidencia a dimensão desse canal de vendas e seu potencial de atração para empresas estrangeiras interessadas em ampliar a distribuição internacional de seus produtos. A retomada do interesse chinês, entretanto, amplia a pressão competitiva sobre o varejo nacional.

Representantes do setor brasileiro cobram condições tributárias equivalentes entre empresas locais e vendedores internacionais, argumentando que diferenças na incidência de impostos podem afetar a competitividade dos produtos comercializados no mercado interno. O avanço das empresas chinesas deverá manter em evidência a discussão sobre tributação das compras internacionais, concorrência e condições de operação no comércio eletrônico brasileiro, em um mercado que combina expansão das plataformas digitais, busca por novos canais de distribuição e disputas por isonomia tributária entre fornecedores nacionais e estrangeiros. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.