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29/Oct/2026

Preços enfraquecidos e comercialização limitada

O mercado brasileiro de algodão em pluma segue com baixa liquidez, diante da concentração de compradores e vendedores no cumprimento de contratos já firmados e da cautela em relação ao cenário político e econômico. O elevado volume de vendas antecipadas reduz a necessidade de novas aquisições no mercado spot, enquanto os preços domésticos permanecem enfraquecidos. Os agentes têm priorizado o cumprimento de contratos a termo, com entregas futuras que, em muitos casos, já atendem às necessidades imediatas dos compradores. Esse cenário limita as negociações para pronta entrega e reforça a postura cautelosa dos participantes do mercado. De acordo com a Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBM), os contratos registrados para a safra 2025/26 somam 1,158 milhão de toneladas, equivalentes a 28% da produção nacional estimada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Desse volume, 651,96 mil toneladas são destinadas ao mercado interno, 393,6 mil toneladas à exportação e 112,1 mil toneladas correspondem a contratos flex.

Para a safra 2026/27, pelo menos 431 mil toneladas já foram comercializadas, o equivalente a 10% do volume projetado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Para 2027/28, os contratos registrados somam 32 mil toneladas. Em Mato Grosso, dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), divulgados em 12 de outubro, indicavam que 78,74% da produção de algodão em pluma da safra 2025/26 já havia sido comercializada, ante 69,95% no mesmo período do ano anterior e média de 78,34% nas últimas cinco safras. Para 2026/27, o índice de comercialização alcançava 43,38%, acima dos 32,49% registrados na mesma época do ciclo anterior e da média de 40,71% das últimas cinco temporadas. O Indicador Cepea/Esalq, com pagamento em 8 dias, registra queda de 2,7% em outubro. Na média de outubro, a cotação interna permanecia 2,4% acima da paridade de exportação.

A relação mudou com a forte valorização do dólar. A paridade de exportação Free Alongside Ship (FAS), referência para o preço da pluma brasileira destinada ao mercado externo, avançou 8% nos últimos sete dias, período em que a moeda norte-americana subiu 6,86%. A paridade alcançou R$ 4,31 por libra-peso no Porto de Santos (SP), superando o Indicador Cepea/Esalq. A mudança melhora a atratividade relativa das exportações em um momento de demanda limitada da indústria doméstica no mercado spot. Na cadeia têxtil brasileira, as exportações somaram US$ 405,25 milhões em setembro, alta de 61,3% ante agosto e de 12,6% em relação a setembro de 2025, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). As importações, contudo, foram superiores e alcançaram US$ 540,2 milhões, resultando em déficit comercial de US$ 134,94 milhões, abaixo dos US$ 284,14 milhões registrados em agosto.

O desempenho variou entre os segmentos. O setor de fibras têxteis foi o único a registrar superávit, de US$ 312,94 milhões, sustentado principalmente pelas fibras de algodão, cujo saldo positivo atingiu US$ 333,1 milhões. As confecções apresentaram o maior déficit entre os segmentos, de US$ 239,11 milhões. Nos Estados Unidos, o avanço da colheita amplia a pressão sobre o mercado internacional. Os trabalhos alcançaram 52% da área até 25 de outubro, acima da média de cinco anos, de 45%, conforme o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). As lavouras classificadas em condições boas ou excelentes representavam 33% da área, recuo de 2 pontos porcentuais em uma semana. No Texas, esse índice era de apenas 18%. O relatório semanal do USDA, divulgado em 23 de outubro, também apontou demanda cautelosa.

No sudeste dos Estados Unidos, a procura por produtos acabados das indústrias têxteis foi classificada como lenta, enquanto os compradores de fiações mantiveram postura prudente ao equilibrar as aquisições de algodão com os pedidos de fios. Nos canais de exportação, a demanda variou de lenta a moderada, com consultas de compradores da Tailândia, Vietnã, México e Peru. Na região que abrange o oeste do Texas, Kansas e Oklahoma, a demanda e as consultas de fiações estrangeiras foram consideradas leves, com maior interesse de compradores da Coreia do Sul, Paquistão e Vietnã. No oeste do Texas, as chuvas recentes chegaram fora do período ideal para parte das lavouras, gerando preocupações com a qualidade da fibra e o rebrote das plantas, que dificulta a dessecação antes da colheita. Técnicos de seguradoras acompanham as condições no campo, enquanto algumas estimativas regionais de produção seguem em queda. A alta do petróleo limita as perdas ao elevar o custo das fibras sintéticas concorrentes, como o poliéster. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.