24/Apr/2026
Segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), o consumo nos lares brasileiros registrou alta de 3,2% em março na comparação anual, impulsionado por fatores sazonais e maior disponibilidade de renda. Na comparação mensal, o avanço foi de 6,21%, levando o indicador a encerrar o primeiro trimestre com crescimento acumulado de 1,92%. O desempenho foi influenciado pela antecipação de compras para a Páscoa, concentradas na última semana do mês, além do efeito-calendário de fevereiro, que possui menor número de dias. A expansão do consumo também ocorreu em um ambiente de reforço da renda das famílias, com liberação de recursos como Bolsa Família, PIS/Pasep, restituições do Imposto de Renda e pagamentos do INSS.
O Indicador Abrasmercado, que acompanha uma cesta de 35 produtos de largo consumo, apresentou alta de 2,20% em março, a mais intensa do trimestre. Nos meses anteriores, as variações foram de +0,47% em fevereiro e -0,16% em janeiro. Com isso, o valor médio da cesta passou de R$ 802,88 para R$ 820,54. Na cesta de 12 produtos básicos, o preço médio nacional avançou 2,26%, saindo de R$ 336,80 para R$ 344,40 no período. A elevação dos custos reflete pressões associadas à logística, ao transporte e ao ambiente internacional, especialmente com impactos do petróleo sobre o custo de reposição. Para os próximos meses, o cenário mantém risco de alta em parte dos alimentos, sobretudo nos itens mais sensíveis a frete, clima e oferta. Ao mesmo tempo, a renda das famílias tende a continuar sustentando o consumo no segundo trimestre, com medidas como a antecipação do 13º salário de aposentados e pensionistas do INSS e novas liberações de restituições do Imposto de Renda.
A alta dos combustíveis em meio aos conflitos no Oriente Médio tem elevado os custos de frete e pressionado cadeias mais sensíveis no varejo alimentar. O impacto é mais intenso em produtos com logística mais rápida, como frutas, verduras e outros itens frescos. O cenário preocupa. Não há perspectiva de acordo no curto prazo e, mesmo que ocorra, a normalização tende a demorar. A tendência é que a pressão de custos se estenda para o segundo semestre, especialmente em regiões mais distantes dos centros produtores, onde o frete tem maior peso. Apesar disso, o repasse ao consumidor final ainda varia entre as empresas, a depender de fatores como nível de estoque, oferta e estratégia comercial, em um ambiente ainda competitivo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.