11/May/2026
A Camil Alimentos teve prejuízo líquido de R$ 40,3 milhões no quarto trimestre de seu ano fiscal 2025, encerrado em fevereiro. O prejuízo é 63,7% maior do que o registrado em igual período do ano fiscal anterior, de R$ 24,6 milhões. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) recuou 0,5% na mesma comparação, para R$ 192,8 milhões. Já a receita líquida caiu 16,5%, para R$ 2,5 bilhões. O volume comercializado no quarto trimestre do ano fiscal 2025 foi 8,9% maior em comparação com igual período do ano anterior. Foram 499 mil toneladas, ante 458,1 mil toneladas do quarto trimestre fiscal de 2024. No Brasil, que representou 68,8% do volume comercializado pela Camil no período, o total de vendas do segmento de alto giro, formado por arroz, feijão e açúcar, foi 9,8% maior, para 292,9 mil toneladas. O preço líquido médio do segmento de alto giro no Brasil caiu 26,6%, para R$ 3,29 por quilo. O volume vendido no Brasil na divisão de alto valor, formado por pescados, massas, café e biscoitos, caiu 0,3%, para 50,4 mil toneladas. O preço líquido médio do segmento de alto valor recuou 8,2%, para R$ 16,89 por quilo.
O mercado internacional, que representou 31,2% do total comercializado pela companhia no trimestre, apresentou alta de 10,6% no volume, para 155,6 mil toneladas. O impulso se deve ao maior volume no Uruguai, Chile e Peru, além da contribuição do Paraguai, parcialmente compensados pela redução no Equador no trimestre. A Camil reportou receita líquida de R$ 11,1 bilhões no ano fiscal de 2025, encerrado em fevereiro deste ano. O resultado é 9,4% menor na comparação com 2024, quando a empresa reportou receita líquida de R$ 12,2 bilhões. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) da companhia atingiu R$ 915 milhões, avanço de 0,9% frente aos R$ 907,3 milhões do ano anterior. A margem Ebitda ficou em 8,2%, ante 7,4% de um ano antes, alta de 0,8 ponto porcentual. O lucro líquido da Camil no ano fiscal de 2025 foi de R$ 148 bilhões, queda de 31,6% ante 2024, quando atingiu R$ 217 milhões. No segmento alimentício Brasil, a receita líquida caiu 10,9%, para R$ 7,94 bilhões, ante R$ 8,915 bilhões.
O segmento alimentício internacional obteve receita líquida 5,3% menor, de R$ 3,170 bilhões, ante R$ 3,348 bilhões. O volume de produtos comercializado pela empresa no ano avançou 6,7%, para 2,256 milhões de toneladas, refletindo principalmente o desempenho do internacional, com crescimento de 30,6%, impulsionado pelo maior volume no Uruguai e pela contribuição do Paraguai, parcialmente compensado por menores volumes nos demais países. No segmento internacional, o volume vendido foi de 809,8 mil toneladas. O desempenho do Brasil ficou em 1,44 milhão de toneladas. No ano, a empresa investiu R$ 463 milhões, 4% mais que em 2024, quando aplicou R$ 335 milhões. A Camil Alimentos encerrou o ano fiscal de 2025 com um desempenho que testou a resiliência de seu portfólio multicategoria. O diretor Financeiro e de Relações com Investidores da companhia, Flavio Vargas, considerou positivo o resultado obtido diante de um cenário marcado pela deflação acentuada no preço do arroz.
"O preço do arroz começou o ano bem alto e depois teve uma redução grande. E como grande parte das nossas operações são vinculadas ao arroz, isso tem um impacto direto, tanto na nossa receita quanto em todo o reflexo para baixo", explicou o executivo. Segundo Vargas, a companhia conseguiu mitigar a queda de preço do arroz com crescimento em volume e rentabilidade em outras frentes. "Não ter todos os ovos na mesma cesta, de fato, ajudou. Tínhamos uma visão mais otimista do arroz no começo de 2025, que não se concretizou”, disse o executivo. “Em compensação, tivemos outras categorias que performaram melhor do que imaginávamos, principalmente açúcar e café", completou. Vargas explicou que o açúcar apresentou uma melhora significativa na rentabilidade, impulsionada por um ambiente competitivo no mercado doméstico. Da mesma forma, os segmentos de café e pescados registraram avanços nas vendas e no mix de produtos, contribuindo para equilibrar a balança financeira da empresa.
No mercado internacional, a Camil atingiu um recorde histórico de volume em 2025. “Tivemos um crescimento de volume porque houve uma maior oferta de arroz no Uruguai, ainda que isso tenha significado, depois, preços menores”, disse Vargas. A conclusão da aquisição e integração de ativos no Paraguai também somou forças ao portfólio internacional ao longo do ano. Para 2026, a perspectiva da diretoria permanece otimista, fundamentada na resiliência do consumo de alimentos básicos. Vargas pontuou que, apesar das incertezas macroeconômicas e do cenário eleitoral que costuma trazer instabilidade ao mercado financeiro, a Camil se sente protegida porque trabalha com produtos básicos. A companhia também aposta na continuidade do crescimento das categorias de alto valor, como café e biscoitos, e na manutenção de uma estrutura de custos rigorosa. “É isso que permite a gente fazer aqui, literalmente, o nosso arroz e feijão bem feito para entregar um ano bom", concluiu Vargas.
O CEO da Camil, Luciano Quartiero, afirmou que a companhia enxerga potencial para dobrar de tamanho nas categorias de café, massas e pescados, apoiada tanto na capacidade industrial instalada quanto nas oportunidades de expansão comercial e de captura de sinergias entre os negócios. Segundo ele, o foco da empresa está em ampliar a presença do portfólio nos clientes já atendidos. "Ainda que sem dar nenhuma expectativa de prazo, nós temos capacidade de dobrar de tamanho em café, em pescados e massas”, afirmou o executivo em teleconferência de resultados. Quartiero destacou que a companhia pretende acelerar principalmente da ampliação da distribuição e da venda cruzada entre categorias. "O nosso crescimento vai vir mais pela nossa ida ao mercado”, disse. O executivo também afirmou que a empresa segue lançando produtos, mas que a prioridade atual está na captura de eficiência comercial. Entre os lançamentos recentes, ele citou cápsulas em café e o cookie Mabel.
"Teremos outros lançamentos, mas, proporcionalmente, o crescimento vai vir mais da ida ao mercado e da melhor execução dos nossos produtos atuais", afirmou. No caso de pescados, Quartiero afirmou que a companhia busca ampliar presença em atum, categoria em que ainda possui participação inferior à registrada em sardinha. "A companhia está muito focada em ter um crescimento maior na categoria de atum", disse. Entre os segmentos de maior valor agregado, o CEO apontou que o segmento de massas teve desempenho abaixo do esperado no quarto trimestre fiscal de 2025, tanto em volume quanto em rentabilidade. "Ela foi um detrator", afirmou. Em contrapartida, café manteve avanço relevante, alcançando R$ 1,1 bilhão em vendas líquidas, com ganho de participação de mercado e rentabilidade positiva. A Camil avalia que o ambiente de consumo continua pressionado no Brasil por fatores como endividamento das famílias, juros elevados, avanço das apostas esportivas e até o uso crescente de medicamentos para perda de peso, mas vê espaço para sustentar volumes e ganhar participação de mercado em categorias como arroz e biscoitos por meio de marcas premium e aumento de participação de mercado.
Segundo o CEO da companhia, Luciano Quartiero, o uso de remédios para emagrecimento pode alterar o perfil de consumo alimentar no País, com impacto potencial sobre categorias tradicionais como arroz e feijão. "Uma vez que as pessoas irão comer menos, ou comem menos quando usam a ‘canetinha’, eu acho que vai ter uma busca por qualidade”, afirmou o executivo. "As marcas de baixo preço tendem a sofrer antes das marcas premium. Uma vez que você come menos, você come mais qualidade", acrescentou. Quartiero destacou que a companhia ainda não percebe impacto direto relevante sobre suas vendas e afirmou que a Camil continuou crescendo em volume na categoria de arroz, tanto no quarto trimestre quanto no acumulado do ano fiscal de 2025. O executivo avaliou que o cenário macroeconômico continua desafiador para o consumo, apesar do crescimento estatístico da renda. Segundo ele, o aumento do comprometimento financeiro das famílias tem limitado a conversão desse ganho em demanda. "Está muito claro o endividamento das famílias, com o comprometimento de renda com juros”, afirmou. "As bets também estão consumindo parte dessa renda disponível", completou.
Quartiero acrescentou que a dinâmica competitiva do setor segue exigindo forte ativação comercial e execução no ponto de venda, mas ponderou que esse cenário já vem sendo enfrentado pela indústria há alguns anos. "Não tem sido fácil vender nos últimos anos. Temos de ativar uma categoria e ativar o ponto de venda. Isso não está tão diferente do que foi ao longo dos últimos anos”, disse. Quartiero também comentou que a categoria de biscoitos, mais ligada ao consumo por indulgência, vem passando por um processo de recuperação operacional dentro da companhia. "Crescemos no ano e temos ganhado share”, afirmou. Na avaliação do CEO, mesmo que o consumo per capita de arroz continue em tendência estrutural de queda, o movimento pode acelerar a consolidação do mercado em favor de empresas com marcas fortes e maior capacidade de execução. "Sempre acreditei que, como o mercado é muito pulverizado, qualquer redução do tamanho do mercado aceleraria a concentração dele”, observou.
A Camil espera iniciar um processo mais evidente de redução da alavancagem ao longo deste ano, apoiada em uma combinação de menor necessidade de investimentos, redução das despesas financeiras e melhora operacional. Segundo Quartiero, o foco na redução da alavancagem já vinha sendo tratado internamente, mas os investimentos recentes impediram avanços mais significativos até agora. A Camil terminou o ano fiscal de 2025 com alavancagem em 3,24 vezes ante 2,97 ao término do ano fiscal anterior. “A redução da alavancagem já tem sido o foco da companhia", afirmou Quartiero. Segundo ele, a empresa atravessou um "período grande de investimentos", incluindo aportes na nova fábrica de arroz de Cambaí, distrito de Itaqui (RS), além de projetos ligados à geração térmica e aquisições, como a operação no Paraguai concluída no ano passado. O executivo destacou que o ciclo mais pesado de investimentos foi encerrado recentemente e que o capex deve cair de cerca de R$ 465 milhões no ano comercial passado para algo entre R$ 200 milhões e R$ 230 milhões neste ano.
"Esse é o patamar de capex da companhia para os próximos anos", disse. De acordo com Quartiero, a empresa não precisará realizar novos investimentos relevantes em expansão, já que possui capacidade ociosa em todas as categorias em que atua. "Não tem necessidade de nenhum grande investimento em expansão de capacidade produtiva para o crescimento que nós queremos ter nos próximos anos. A companhia já fez toda essa lição de casa", afirmou. Além da redução do capex, o CEO apontou que a expectativa de continuidade na queda dos juros deve contribuir para aliviar as despesas financeiras da companhia. "Aparentemente, neste momento, tem mais quedas que o mercado está prevendo e isso é uma redução da nossa despesa de juros", disse. Quartiero também afirmou que a companhia trabalha para elevar rentabilidade e crescimento, movimento que deve ampliar o Ebitda e fortalecer a geração de caixa. "Este ano vai aparecer a desalavancagem da companhia", afirmou. Segundo ele, o processo será sustentado principalmente por "menos capex, menos juros e mais Ebitda".
A Camil avaliou que as operações internacionais já entraram em um processo de normalização após os impactos provocados pela queda dos preços do arroz sobre rentabilidade nos diferentes países onde atua. Segundo o CEO da companhia, o cenário começou a melhorar no início deste ano, após um período de pressão mais intensa ao longo de 2025. "Todos foram muito impactados pela queda do arroz. Isso trouxe impacto em volumes", afirmou Quartiero, destacando que o efeito foi observado em praticamente todos os países da operação internacional da companhia. "Essas operações já estão normalizadas”, acrescentou. O executivo ressaltou que o desempenho mais fraco no Equador não esteve ligado a um fator específico, mas sim à dinâmica de preços do mercado. "O Equador teve uma performance em volumes inferior. Não tem um fator específico, está muito ligado À relação de preço", disse. Segundo ele, o país encerrou o ano com volumes abaixo do registrado no exercício anterior.
A retração acabou sendo compensada principalmente pelo desempenho do Uruguai, que registrou crescimento relevante em função da safra forte colhida no ano passado. "O Uruguai teve uma disponibilidade de volume muito forte, teve um crescimento no ano significativo", afirmou Quartiero. Segundo ele, a expectativa é de manutenção desse patamar ao longo do próximo ano, diante do desempenho da colheita atual. "Está sinalizando que vai ser muito similar ao que foi agora." No Peru, a companhia segue focada na recuperação gradual de rentabilidade após anos de pressão decorrentes da elevada informalidade do mercado local. "Começamos o processo de recuperação ao longo do ano passado, muito centrado no segundo semestre. Esse processo continua. Ele vai ser gradual, mas estamos no caminho certo", afirmou o CEO. Já no Chile, Quartiero afirmou que os impactos da queda dos preços também pressionaram a rentabilidade, embora os indicadores estejam voltando aos níveis históricos. "A performance de volumes também está sinalizando que está dentro do histórico", disse. Fonte: Broadcast Agro.