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19/May/2026

Preços globais do arroz firmes neste mês de maio

Os preços mundiais do arroz avançaram em média 3% em abril, sustentados principalmente pelo aumento das exportações para países do Sudeste Asiático e da África Subsaariana. Apesar da alta, o mercado segue marcado por elevada volatilidade, sem definição clara de tendência, em meio aos impactos dos conflitos geopolíticos sobre energia, logística e comércio internacional. O aumento dos custos logísticos, estimado em 20%, e a valorização da energia continuam pressionando a oferta e a demanda global, contribuindo para um ritmo mais moderado do comércio internacional. A Tailândia aparece entre os países mais afetados pelas tensões no Oriente Médio após a suspensão das exportações para o Iraque, parcialmente compensada pelo aumento das vendas para Malásia e Filipinas.

Diante das incertezas sobre o abastecimento global, diversos países asiáticos ampliaram suas reservas estratégicas. A Indonésia elevou seus estoques domésticos para recorde de 4,8 milhões de toneladas. Os estoques mundiais também seguem em expansão e podem atingir aproximadamente 220 milhões de toneladas, alta de 4,5% frente à safra anterior. Apesar da ampla oferta global, analistas alertam para riscos de redução da produção mundial em função da alta dos preços dos fertilizantes e da possibilidade de diminuição das áreas cultivadas e dos rendimentos. Algumas estimativas já apontam perdas potenciais entre 10% e 15% na produtividade. Ainda assim, o atual volume global disponível tende a limitar movimentos mais fortes de valorização nos próximos meses.

Na Índia, os preços apresentaram recuperação em abril após a queda registrada em março, sustentados pela redução dos fluxos comerciais com o Oriente Médio. No início de maio, as cotações voltaram a recuar, mas retomaram movimento de alta em meados do mês, refletindo a instabilidade provocada pelas tensões geopolíticas e pelo aumento dos custos de transporte. O mercado também enfrentou suspensão de alguns lotes destinados à China após suspeitas envolvendo arroz transgênico. Mesmo assim, a Índia projeta exportar 24 milhões de toneladas em 2026, equivalente a aproximadamente 40% do comércio mundial de arroz. Em abril, o arroz branco indiano 5% FOB permaneceu praticamente estável em US$ 343,00 por tonelada, enquanto o parboilizado foi negociado a US$ 346,00 por tonelada, ante US$ 347,00 anteriormente.

Na Tailândia, os preços subiram 4% em abril em meio à forte concorrência entre os principais exportadores globais. As interrupções no comércio com o Oriente Médio também afetaram o desempenho das exportações tailandesas, já que a região representa aproximadamente 20% das vendas externas do país. Em março, os embarques recuaram 22% frente ao mês anterior e acumulavam atraso de 10% em relação ao mesmo período do ano passado. As exportações totais podem cair 11% em 2026, para 7 milhões de toneladas. Em abril, o arroz tailandês Thai 100%B avançou para US$ 391,00 por tonelada, ante US$ 375,00 em março. O arroz parboilizado subiu para US$ 390,00 por tonelada ante US$ 384,00 por tonelada em março, enquanto o quebrado A1 Super avançou 2,5%, para US$ 361,00 por tonelada. Em maio, as cotações permanecem firmes devido à retenção de vendas pelos moinhos locais.

No Vietnã, os preços de exportação registraram forte recuperação em abril impulsionada pelo aumento da demanda internacional diante dos receios de interrupções no abastecimento. As exportações avançaram especialmente para as Filipinas, principal destino do arroz vietnamita e responsável por mais da metade das vendas externas do país. A China também ampliou as compras, enquanto o Vietnã busca expandir presença na África, região que já responde por 15% das exportações vietnamitas. Em abril, o arroz Viet 5% foi negociado a US$ 378,00 por tonelada, ante US$ 354,00 anteriormente, enquanto o Viet 25% avançou para US$ 354,00 por tonelada contra US$ 329. Em maio, os preços seguem firmes.

No Paquistão, os aumentos em abril foram moderados devido à demanda mais fraca. As exportações paquistanesas acumulam atraso de 13% frente ao mesmo período do ano anterior. O país busca ampliar mercados na China, Sudeste Asiático, África e Hemisfério Ocidental. Em abril, o Pak 5% foi negociado a US$ 353,00 por tonelada, ante US$ 350,00 por tonelada em março. Em maio, os preços permanecem estáveis.

Nos Estados Unidos, os preços recuaram 1% em abril. Apesar da concorrência do Mercosul, as exportações aumentaram em abril para 270 mil toneladas, ante 145 mil toneladas em março, embora ainda permaneçam 13% abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior. O Japão segue como principal destino, respondendo por aproximadamente 20% das exportações americanas. Em abril, o arroz Long Grain 2/4 registrou média de US$ 545,00 por tonelada, ante US$ 55,00 por tonelada em março. Em maio, os preços permanecem próximos de US$ 540,00 por tonelada.

No Mercosul, os preços de exportação voltaram a subir entre 8% e 12% em abril, dependendo da origem. O arroz brasileiro registrou valorização significativa diante do avanço consistente das exportações. O preço indicativo do arroz em casca no Brasil avançou 11%, para US$ 249,00 por tonelada, ante US$ 224,00 por tonelada em março. Em maio, as cotações permanecem firmes em torno de US$ 251,00 por tonelada.

Na África Subsaariana, os mercados internos seguem abastecidos e os preços ao consumidor permanecem relativamente estáveis, sustentados pela oferta contínua de arroz importado a preços mais competitivos que o produto local. Alguns países, como Burkina Faso, tentam restringir as importações para fortalecer a comercialização doméstica. Mesmo assim, a região continua enfrentando desafios relacionados à autossuficiência, com as importações representando aproximadamente um terço das compras mundiais de arroz. Fonte: Informativo Mensal do Mercado Mundial de Arroz - CIRAD. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.