16/Jul/2026
A Camil Alimentos, multinacional de origem brasileira, teve lucro líquido de R$ 28,0 milhões no primeiro trimestre fiscal de 2026, encerrado em maio, informou a empresa nesta terça-feira. O resultado é 57,6% inferior ao obtido em igual período do ano anterior, quando a empresa obteve lucro líquido de R$ 66,0 milhões. O lucro líquido por ação ficou em R$ 0,08 no trimestre. A receita líquida recuou 0,7%, de R$ 2,687 bilhões para R$ 2,668 bilhões no primeiro trimestre fiscal deste ano. No segmento alimentício Brasil, a receita líquida aumentou 4,8%, de R$ 1,932 bilhão para R$ 2,025 bilhões. Já o segmento alimentício internacional obteve receita líquida 14,9% menor, de R$ 642,1 milhões ante R$ 754,7 milhões no 1tri25. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da companhia caiu 9,9% na mesma comparação, de R$ 233,1 milhões para R$ 210,0 milhões. A margem Ebitda retraiu 0,8 ponto porcentual do primeiro trimestre fiscal de 2025 para o primeiro trimestre fiscal de 2026, encerrando o período em 7,9%. A alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda) terminou o primeiro trimestre fiscal de 2026 em 4,7 vezes ante 4,1 vezes de igual período do ano fiscal anterior.
No período, a companhia investiu (Capex) R$ 77,5 milhões, 35,3% menos que no primeiro trimestre fiscal de 2025. No comunicado ao mercado, a companhia destacou o avanço na eficiência de suas operações, com expansão de 17,9% no volume consolidado vendido, que somou 593,6 mil toneladas no trimestre, impulsionado pelo crescimento no segmento de alto giro, que inclui arroz, feijão e outros grãos, além de açúcar. O segmento de alto giro registrou alta de 13,9% em volume, atingindo 333,1 mil toneladas, embora seu preço líquido médio tenha recuado 3,5%, para R$ 3,82 por quilo. No comunicado divulgado aos investidores, o diretor presidente da Camil, Luciano Quartiero, e o diretor Financeiro e de Relações com Investidores, Flavio Vargas, destacaram que o resultado reflete a evolução da execução comercial e a captura dos planos de crescimento estruturados desde o ano passado, consolidando o alto giro como plataforma de escala e capilaridade da companhia.
A divisão de alto valor, que engloba pescados enlatados, massas, biscoitos e café, apresentou crescimento tanto em volume, com alta de 14,6%, para 49,0 mil toneladas, quanto em preço líquido médio, que subiu 14,6%, para R$ 17,52 por quilo. Os executivos afirmaram, no documento, que o destaque segue sendo café, registrando ganhos sequenciais de participação na categoria. Em biscoitos, a Camil informou que houve avanços com as iniciativas de fortalecimento da marca, com crescimento de volumes na comparação anual. No mercado internacional (Uruguai, Chile, Peru, Equador e Paraguai), o volume total de vendas registrou uma forte expansão de 25,8%, alcançando 211,4 mil toneladas contra 168,0 mil toneladas registradas no primeiro trimestre fiscal de 2025. Em contrapartida, o preço líquido médio nessa operação recuou 32,4% no confronto anual, encerrando o período em R$ 3,04 por quilo. No comunicado divulgado aos investidores, Quartiero e Vargas destacaram que, mesmo diante de um cenário de preços menores de arroz no Brasil e na América Latina, a receita líquida permaneceu praticamente estável.
Para Luciano Quartiero, a melhora na rentabilidade do segmento Brasil no primeiro trimestre fiscal de 2026 (1T26), com a margem bruta retornando a níveis historicamente elevados, representa um "novo nível" para a companhia. Em teleconferência com analistas e investidores nesta quarta-feira, o executivo afirmou que o desempenho reflete a força do portfólio multicategorias e a execução comercial da empresa. De acordo com Quartiero, há oportunidades e desafios em ser uma companhia multicategorias. "A nossa margem bruta tem sido favorecida principalmente pelo segmento de pescados e cafés, que estão com uma rentabilidade muito boa", explicou o executivo. "Em compensação, a divisão de grãos ainda atua como uma barreira, por causa dos efeitos da queda nos preços do arroz." A receita líquida do segmento Brasil no primeiro trimestre fiscal de 2026 avançou 4,8% na comparação anual, somando R$ 2,026 bilhões. O lucro bruto da divisão no País subiu 17,8%, para R$ 495,8 milhões, o que impulsionou a margem bruta em 2,7 pontos porcentuais, para 24,5%. O Ebitda do mercado brasileiro cresceu 6,6% no período, totalizando R$ 173,6 milhões, com a margem Ebitda subindo 0,1%, para 8,6%. O lucro líquido do segmento Brasil avançou 9,0% no confronto anual, somando R$ 26,4 milhões.
Ainda assim, o CEO avalia que as margens atuais devem se consolidar à frente, impulsionadas pelo desempenho de vendas na categoria de alto giro, que inclui arroz, feijão e outros grãos, e açúcar, e na de alto valor, de pescados enlatados, massas, biscoitos e café. "Obviamente isso pode mudar de acordo com os efeitos de grandes oscilações nos preços, mas estamos colhendo os frutos de uma melhor execução comercial." O diretor Financeiro e de Relações com Investidores, Flavio Vargas, acrescentou que projeta que o saldo de capital de giro ao término do ano fiscal deve encerrar muito próximo ao registrado no ciclo anterior, sem provocar demanda líquida relevante de caixa. Ele explicou que o planejamento da companhia já previa um preço menor de matéria-prima, principalmente no arroz, e que o volume de vendas mais alto acaba sendo equilibrado pelo preço médio menor. Vargas concluiu afirmando que a expectativa é encerrar o ano com uma liberação de capital de giro muito consistente e em linha com o passado, sem surpresas no horizonte. A rentabilidade das operações internacionais da Camil Alimentos no primeiro trimestre fiscal de 2026 (1T26) reflete prolongada queda nos preços das commodities, em especial do arroz. A avaliação é de Luciano Quartiero.
“O resultado e a rentabilidade ficaram muito abaixo do patamar histórico. As quedas de preços foram longas e grandes”, disse Quartiero. “Mas, no momento, o nosso sentimento é de que o pior já passou.” O executivo afirmou que o piso dos preços já foi atingido e já se observa uma leve recuperação. “É mais uma questão de 'quando' e não de 'se' essa recuperação vai acontecer", destacou Quartiero. O CEO da Camil disse que o mercado agora monitora o tamanho da produção de grãos na América do Sul e os potenciais efeitos do fenômeno climático El Niño sobre as lavouras ao longo do segundo semestre. Na avaliação de Quartiero, esse cenário pode determinar se a alta de preços esperada para o ano que vem será antecipada para os próximos meses. Os dados financeiros do segmento internacional no primeiro trimestre fiscal de 2026 refletem esse cenário desafiador de rentabilidade citado pelo executivo. Para o executivo, apesar da pressão nas margens internacionais decorrente dos preços deprimidos, a Camil registrou um avanço em volumes. O executivo detalhou que houve crescimento físico de vendas no Uruguai e no Chile, somado ao efeito positivo da consolidação da nova operação no Paraguai. Em contrapartida, Peru e Equador apresentaram leve queda de volume e atuaram como os principais "detratores" do resultado da divisão latino-americana no trimestre.
Os resultados da Camil Alimentos no primeiro trimestre de 2026 vieram amplamente em linha com as tendências esperadas pelo BTG Pactual, embora a rentabilidade tenha ficado um pouco abaixo de suas estimativas. A tese de investimento na companhia tem sido pressionada nos últimos trimestres, mas a instituição financeira reitera a recomendação de compra, apostando em um cenário mais favorável para os preços do arroz. A principal decepção do balanço veio das despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A), que ficaram acima do esperado, disseram os analistas do banco Thiago Duarte e Guilherme Guttilla. O Ebitda ajustado por eventos não recorrentes totalizou R$ 200 milhões, uma queda de 13% em relação ao mesmo período do ano passado e 9% abaixo da estimativa do banco, com a margem ficando em 7,5%. A receita líquida, por sua vez, atingiu R$ 2,7 bilhões, um recuo de 1% na mesma base de comparação, em linha com a projeção do BTG. Apesar da rentabilidade pressionada, o banco destaca a boa recuperação dos volumes em todas as frentes. No segmento de alto giro no Brasil, o volume cresceu 14% ante o mesmo período do ano anterior, recuperando-se de uma base de comparação fraca.
A divisão de alto valor também apresentou bom desempenho, com aumento de 14% no volume. Outro ponto positivo, segundo o relatório, foram as operações internacionais, com volumes 26% maiores, impulsionados por Uruguai, Chile e Equador, além da contribuição da nova operação no Paraguai. O BTG Pactual afirma que suas estimativas já incorporam a base mais alta de despesas, enquanto a perspectiva para os preços do arroz agora aponta para um cenário de lucros consideravelmente mais favorável. O banco nota que a área plantada de arroz no Brasil diminuiu, resultando em uma redução na produção. Com isso, os preços já começaram a reagir, e a expectativa é que a recuperação continue. O fenômeno El Niño pode trazer um risco adicional de alta para os preços. O banco conclui que o desempenho das ações da Camil deve acompanhar os preços do arroz. Para o BTG, uma recuperação contínua no preço do grão em direção ao nível de R$ 80,00 por saco de 50 Kg, valor que reflete os custos dos produtores, poderia levar o lucro líquido a quase dobrar até 2027, trazendo a avaliação da empresa para níveis mais atrativos. O BTG reitera a recomendação de compra e avalia o momento atual como um ponto de entrada atrativo. Fonte: Broadcast Agro.