31/Jul/2026
Segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), o consumo das famílias brasileiras acumulou crescimento real de 2,49% no primeiro semestre de 2026. Em junho, o indicador avançou 0,48% em relação a maio e registrou alta de 1,86% na comparação com o mesmo mês de 2025, considerando os valores corrigidos pela inflação medida pelo IPCA. O desempenho reflete a combinação de um mercado de trabalho ainda aquecido, maior circulação de renda na economia e um comportamento mais cauteloso dos consumidores diante da pressão de preços sobre parte dos alimentos. A entidade observa que os consumidores passaram a adotar estratégias de compra mais planejadas, com maior atenção às promoções, comparação de preços e seleção dos itens que compõem a cesta de consumo.
A entidade também identificou mudanças temporárias no perfil de consumo durante a Copa do Mundo. Na chamada "Cesta Copa", os cortes bovinos responderam por 17,2% do valor total, seguidos por cervejas (13,1%), cortes de frango (11,4%), embutidos (10,9%) e refrigerantes (10,3%). Juntas, essas cinco categorias concentraram mais de 60% do valor da cesta analisada. O impacto variou ao longo do mês conforme o calendário da competição, a participação da seleção brasileira, as ações promocionais do varejo e a disponibilidade de renda das famílias. Em relação aos preços, o indicador Abrasmercado, que acompanha uma cesta composta por 35 produtos de largo consumo, recuou 0,28% em junho frente a maio, interrompendo uma sequência de três meses consecutivos de altas.
Apesar da retração mensal, o índice ainda acumula valorização de 6,52% no primeiro semestre. O valor médio da cesta passou de R$ 854,91 em maio para R$ 852,54 em junho. A cesta de 12 produtos básicos apresentou estabilidade na passagem mensal, com alta de 0,08%, encerrando junho com custo médio de R$ 357,39. No acumulado do primeiro semestre, o avanço foi de 4,99%, influenciado principalmente pelas altas registradas nos preços do feijão e do leite longa vida. A expansão das redes supermercadistas, com a abertura de novas lojas, é o principal fator que sustenta a manutenção da projeção da Abras de crescimento de 3,2% do consumo nos lares em 2026, apesar da desaceleração observada no volume de vendas do setor.
O desempenho das unidades recém-inauguradas tem compensado o ritmo mais fraco das lojas já maduras. A comparação entre o total de lojas e o conceito de "mesmas lojas" (que exclui as unidades novas) mostra um crescimento bem mais forte quando as aberturas recentes entram na conta. A quantidade de lojas que ainda vão ser inauguradas no segundo semestre é muito maior do que as que foram inauguradas até agora. As novas unidades costumam abrir com forte estratégia promocional, fruto de negociações entre varejistas e indústria, o que atrai consumidores. Ainda é preciso observar se esse impulso é passageiro, restrito ao período de aberturas, ou se reflete uma tendência mais duradoura. O baixo índice de desemprego próximo às mínimas da série histórica e um consumidor cada vez mais propenso a pesquisar preços e aproveitar promoções, facilitado pelas ferramentas digitais disponíveis hoje, impulsionam as vendas. As eleições deste ano também devem movimentar a economia no segundo semestre.
Destaque também para o avanço de formatos menores, como minimercados e lojas em condomínios. Apesar do mix reduzido de produtos, esses pontos oferecem maior conveniência e estimulam compras não planejadas. A Abras passou a monitorar esse movimento a partir de 2025, com os primeiros dados divulgados em abril. A entidade ainda destacou a pulverização do varejo brasileiro como um diferencial que ajuda a manter o consumo resiliente. Segundo dados apresentados, em alguns países três redes de supermercados respondem por 100% do faturamento do setor; no Brasil, as três maiores representam apenas 21%, sendo necessárias mais de mil lojas para se atingir 80% do faturamento total, o que, segundo a Abras, reforça a concorrência e o poder de escolha do consumidor local. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.