19/Nov/2025
O governo dos Estados Unidos anunciou no final da semana passada a retirada da tarifa de 10%, que havia sido aplicada em abril deste ano de forma generalizada às importações daquele país. No entanto, as sobretaxas de 40% que incidem especificamente sobre o café brasileiro foram mantidas, o que ainda gera preocupações no setor exportador. A possibilidade de redução tarifária já vinha sendo precificada pelos mercados futuro e físico. Na semana que antecedeu o anúncio, as expectativas de menor custo de importação por parte dos Estados Unidos resultaram em desvalorizações expressivas do contrato Março/2026 negociado na Bolsa de Nova York. Por sua vez, os preços no Brasil também acompanharam parte desse movimento. Ainda assim, a manutenção da tarifa de 40% tende a reduzir a competitividade do café nacional nos Estados Unidos, uma vez que concorrentes relevantes do Brasil tiveram barreiras totalmente eliminadas ou substancialmente reduzidas.
O risco central apontado por agentes do setor é a possível substituição estrutural do produto brasileiro no padrão de consumo norte-americano. Por um lado, a retirada da tarifa de 10% sinaliza uma disposição dos Estados Unidos em distensionar as relações comerciais. Porém, de outro, evidencia que o Brasil ainda ocupa uma posição vulnerável e está dependente da retirada integral da sobretaxa para recuperar a atratividade no mercado. Caso esse quadro perdure, os volumes embarcados e os preços de exportação podem continuar pressionados. Segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), entre julho e outubro deste ano, período inicial da safra 2025/2026, os Estados Unidos deixaram de ocupar a liderança no destino do café brasileiro, sendo superados pela Alemanha. Na terceira posição está a Itália, que tem se aproximado dos Estados Unidos. No acumulado da safra, os embarques brasileiros ao mercado norte-americano somaram 1,39 milhão de sacas de 60 Kg, significativa queda de 45,2% frente ao volume do mesmo intervalo da temporada anterior.
Para os demais destinos, as exportações brasileiras também seguem lentas. Nos quatro primeiros meses da safra 2025/2026, foram escoadas à Alemanha e à Itália respectivos 1,94 milhão de sacas de 60 Kg e 1,1 milhão de sacas de 60 Kg, fortes recuos de 38,9% e de 20,1% frente aos mesmos volumes da temporada anterior. De modo geral, os menores envios refletem a redução na oferta brasileira e os preços mais elevados no mercado internacional. No balanço da safra 2025/2026, o volume exportado a todos os destinos somou 13,846 milhões de sacas de 60 Kg, queda de 20,3% frente ao mesmo intervalo de 2024. Apesar disso, a receita cambial avançou 12,4%, somando US$ 5,185 bilhões. Apenas em outubro, os embarques totalizaram 4,141 milhões de sacas de 60 Kg, expressiva diminuição de 20% em relação às 5,176 milhões de sacas de 60 Kg embarcadas no mesmo mês de 2024. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.