11/Mar/2026
Até o encerramento de fevereiro, a expectativa de uma colheita recorde na safra 2026/27 brasileira vinha resultando em fortes quedas nos preços externos e internos do café. No entanto, agora em março, o atual conflito no Oriente Médio e suas consequências reverteram esse movimento de desvalorização do grão e perdas recentes chegaram a ser recuperadas. Além da oscilação cambial, com o dólar ganhando força frente ao Real, preocupações relacionadas ao fechamento do Estreito de Ormuz, que, por sua vez, tem prejudicado o fluxo de mercadorias ao redor do mundo, têm impulsionado os valores do café arábica negociado na Bolsa de Nova York e, consequentemente, no Brasil. Com a rota logística comprometida e custos elevados, o grão produzido na Ásia pode enfrentar dificuldades para chegar aos mercados consumidores no Ocidente. No acumulado da parcial deste mês, o contrato Maio/26 na ICE Futures se valorizou 6%, cotado a 301,75 centavos de dólar por libra-peso.
No Brasil, o Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6, bebida dura para melhor, posto em São Paulo, avançou fortes 7,3% no acumulado de março, a R$ 1.929,36 por saca de 60 Kg. Com esse aumento, parte das perdas registradas em fevereiro (quando o Indicador caiu quase 15%) foi recuperada. Ressalta-se que essa recente valorização do arábica favoreceu a realização de alguns negócios no mercado spot nacional, mas os fechamentos envolveram volumes pequenos. Grande parte da safra já foi comercializada e, em muitas regiões, poucos produtores ainda possuem volumes significativos estocados. A safra 2025/26 foi pequena e os preços elevados ao longo do ano passado estimularam a venda da produção. Agentes apontam que, em importantes regiões, como no Sul de Minas Gerais, o volume comercializado já se aproxima de 70% a 80%, enquanto no Noroeste do Paraná quase a totalidade da safra já foi comprometida em negócios. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.