19/May/2026
O Rabobank projetou recuperação da produção brasileira de café na safra 2026/27, com volume estimado em 73,3 milhões de sacas de 60 Kg. A perspectiva reflete melhora das condições climáticas nas principais regiões produtoras do País e cenário de recomposição da oferta após anos de restrição produtiva, principalmente no café arábica. A produção de café arábica foi estimada em 48,7 milhões de sacas de 60 Kg, enquanto o conilon deve alcançar 24,6 milhões de sacas de 60 Kg. O avanço da produção tende a ampliar o equilíbrio da oferta brasileira no próximo ciclo. Apesar da expectativa positiva para a safra, as exportações brasileiras seguem abaixo do registrado no ano anterior. Em março, os embarques somaram 3,04 milhões de sacas, recuo de 7,8% em relação ao mesmo período de 2025, embora tenham avançado 15% frente a fevereiro.
No acumulado do primeiro trimestre, as exportações totalizaram 8,5 milhões de sacas, queda de 21% na comparação anual. O ritmo mais lento dos embarques reflete a postura cautelosa dos produtores diante dos preços elevados e dos diferenciais altos, fator que reduz a competitividade do café brasileiro no mercado internacional. Destaque para a elevada volatilidade no mercado global, influenciada pelas tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã. O cenário pressiona os preços da energia e eleva os custos de fertilizantes e insumos agrícolas, segmento em que o Brasil depende de aproximadamente 90% de importações, ampliando os custos de produção, colheita e logística. A deterioração da relação de troca também foi apontada. Em abril, passaram a ser necessárias 4,97 sacas de 60 Kg de café arábica para aquisição de 1 tonelada do fertilizante blend 20-05-20 (NPK), ante 4,66 sacas de 60 Kg em março.
Em abril de 2025, eram necessárias apenas 2,25 sacas de 60 Kg para a mesma compra. No mercado internacional, março foi marcado por forte volatilidade. O café arábica acumulou valorização de 3%, sustentado pela oferta restrita e pelos baixos estoques globais, enquanto o robusta recuou 9%, em movimento de realização de lucros. Em abril, o arábica avançou mais 2% e o robusta subiu 3%, mantendo as cotações em patamares historicamente elevados. Quanto ao clima, houve redução das chuvas em importantes regiões produtoras durante abril, condição que favoreceu o avanço da colheita. Para os próximos meses, porém, a previsão indica menores volumes de precipitação, agravamento do déficit hídrico no cinturão cafeeiro e riscos associados a um possível episódio de El Niño. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.