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22/May/2026

Café Solúvel: setor busca exclusão de tarifa dos EUA

O setor cafeeiro brasileiro avalia haver possibilidade de retirada do café solúvel da lista de produtos tarifados pelos Estados Unidos nos próximos meses. Segundo Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé), as negociações com a National Coffee Association (NCA) indicam que uma nova revisão da lista de exceções tarifárias pode ocorrer em um prazo de um a dois meses. O café solúvel permanece em discussão nas negociações conduzidas em Washington, após mais de cem reuniões realizadas com representantes norte-americanos. Atualmente, o produto brasileiro segue sujeito à tarifa de 50% aplicada pelos Estados Unidos, enquanto o café verde foi incluído entre os itens poupados das novas tarifas.

A exclusão do café solúvel mantém um ambiente de incerteza para o setor exportador. O produto representa aproximadamente 10% das exportações brasileiras de café, e a avaliação de interlocutores norte-americanos é de que a ausência do item da lista de exceções pode ter ocorrido por falha procedimental, diante da importância do produto para a indústria e para o consumidor dos Estados Unidos. A articulação institucional e diplomática tem sido fundamental para conter o avanço de medidas comerciais contra o café brasileiro. O Brasil enfrenta investigações comerciais nos Estados Unidos e denúncias relacionadas ao café brasileiro junto à alfândega norte-americana.

É preciso fortalecer as relações diplomáticas e a construção de um acordo bilateral como instrumentos para reduzir riscos comerciais futuros e ampliar a previsibilidade para o setor cafeeiro. A National Coffee Association (NCA), associação que representa o setor cafeeiro nos Estados Unidos, avalia que a exclusão do café solúvel brasileiro da lista de exceções tarifárias norte-americanas não possui justificativa técnica e trabalha junto ao governo dos Estados Unidos para reverter a decisão. A entidade argumenta que os fundamentos utilizados para conceder isenção tarifária ao café verde, ao café descafeinado e ao café torrado também deveriam ser aplicados ao café solúvel.

O setor destaca que as condições estruturais do mercado cafeeiro global permanecem inalteradas desde a concessão das exceções ao segmento em novembro do ano passado. A discussão ocorre no contexto das medidas comerciais relacionadas à Seção 301 dos Estados Unidos, ainda cercadas de incertezas sobre os próximos movimentos da administração norte-americana. A avaliação é de que o café solúvel deveria receber tratamento equivalente ao concedido às demais categorias do produto. A NCA reforçou ainda a relevância estratégica do café brasileiro para a cadeia global de abastecimento e, especialmente, para o mercado consumidor dos Estados Unidos.

A entidade avalia que a indústria cafeeira norte-americana depende do fornecimento brasileiro em razão da competitividade, qualidade e sustentabilidade da produção nacional. O setor também identifica oportunidade para fortalecimento institucional da imagem do café brasileiro junto ao consumidor norte-americano, principalmente diante do crescimento do segmento de cafés especiais nos Estados Unidos. O consumidor norte-americano ainda possui conhecimento limitado sobre origem, agricultura e sustentabilidade da produção cafeeira, criando espaço para ampliação da presença do Brasil como referência global em qualidade e produção sustentável. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.