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07/Jul/2026

Setor pede isenção para o café solúvel nos EUA

O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) defendeu a manutenção da isenção tarifária concedida à maior parte dos produtos de café brasileiros nos Estados Unidos e solicitou a ampliação desse benefício para o café solúvel sem adição de aromatizantes. A posição foi apresentada em audiência pública nesta segunda-feira (06/07) no âmbito da investigação comercial da Seção 301 contra o Brasil. A entidade sustenta que o café brasileiro é insubstituível no mercado norte-americano e afirma que a imposição de tarifas adicionais elevaria os custos para a indústria e para os consumidores dos Estados Unidos.

O Brasil responde por mais de 30% do mercado norte-americano de café e se mantém como principal fornecedor do país, com uma cadeia produtiva considerada organizada, eficiente e capaz de garantir regularidade no abastecimento. O principal pleito envolve a inclusão do café solúvel sem aromatizantes na lista de produtos isentos das tarifas da Seção 301. Os Estados Unidos não produzem esse tipo de café em escala relevante, embora ele seja insumo importante para bebidas prontas para consumo e produtos do tipo cold brew, consumidos por cerca de 53 milhões de adultos no país.

A ausência de isenção coloca fabricantes norte-americanos de maior valor agregado em desvantagem competitiva frente a concorrentes internacionais. Em 2025, o Brasil exportou cerca de 15 milhões de quilos de café solúvel sem aromatizantes para os Estados Unidos, volume equivalente a mais de 30% das importações norte-americanas desse produto na média dos últimos cinco anos. O Cecafé destacou que a retirada de tarifas sobre a maior parte dos cafés brasileiros, implementada em novembro de 2025, coincidiu com período de estabilidade de preços ao consumidor norte-americano. A ampliação das isenções para o café solúvel poderia reforçar esse cenário e gerar benefícios adicionais à economia dos Estados Unidos. A cadeia do café no mercado norte-americano foi destacada como relevante em termos econômicos, com consumo superior a 70% da população, movimentação anual estimada em US$ 343 bilhões, participação de 1,2% do PIB e suporte a mais de 2,2 milhões de empregos.

A Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) também defendeu a exclusão do café solúvel brasileiro da tarifa adicional de 25% proposta pelo governo dos Estados Unidos durante audiência pública do USTR. A entidade argumentou que a medida afetaria não apenas o consumo do produto, mas toda a cadeia industrial norte-americana que utiliza café solúvel como insumo. A manifestação da associação foi coordenada com as apresentações do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) e da National Coffee Association (NCA), dos Estados Unidos. Segundo a Abics, a estratégia conjunta permitiu construir uma defesa técnica sobre a relevância do café brasileiro para a produção, o consumo e a competitividade da indústria cafeeira norte-americana. Durante a audiência, os questionamentos das autoridades norte-americanas concentraram-se nos impactos que uma eventual tarifa adicional de 25% poderia provocar sobre a indústria dos Estados Unidos.

A entidade destacou que a sobretaxa prejudicaria fabricantes de bebidas prontas para consumo (RTD), xaropes e outros produtos que utilizam café solúvel como matéria-prima, comprometendo segmentos de maior valor agregado. A Abics reiterou que a exclusão do café solúvel da lista de produtos sujeitos à tarifa preservaria a competitividade da indústria norte-americana e evitaria aumento de custos para empresas e consumidores. A entidade ressaltou ainda que cerca de 11% da população dos Estados Unidos consome café solúvel diariamente. Na avaliação da associação, os esclarecimentos apresentados durante o painel responderam aos principais questionamentos do USTR sobre os efeitos da tarifa para a cadeia produtiva, fortalecendo a defesa pela manutenção do livre acesso do café solúvel brasileiro ao mercado norte-americano. Na avaliação do Cecafé, a audiência pública no âmbito da investigação da Seção 301 contra o Brasil apresentou discussões mais técnicas e produtivas do que as realizadas no ano passado.

O encontro demonstrou maior compreensão das autoridades norte-americanas sobre a importância do café brasileiro para a cadeia produtiva dos Estados Unidos, especialmente do café solúvel. O principal tema debatido foi o pedido para que o café solúvel sem aromatizantes seja incluído na lista de produtos isentos das tarifas em discussão. Representantes do Cecafé, da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) e da National Coffee Association (NCA) defenderam conjuntamente a manutenção da isenção para o café verde e o café torrado e moído, além da ampliação do benefício ao café solúvel. Durante a audiência, os representantes do governo norte-americano concentraram os questionamentos no papel do café solúvel como insumo para a indústria local, utilizado na produção de bebidas de maior valor agregado.

As perguntas demonstraram conhecimento técnico sobre o funcionamento da cadeia produtiva e buscaram compreender melhor a relevância do produto para o abastecimento da indústria dos Estados Unidos. A atuação conjunta entre representantes brasileiros e norte-americanos do setor cafeeiro foi bem recebida durante os debates, evidenciando convergência de interesses quanto à manutenção do fluxo comercial e ao fortalecimento da competitividade da indústria de café nos dois países. Os debates mais intensos ficaram concentrados nos painéis relacionados aos setores de pecuária e etanol. Ainda assim, a avaliação final da entidade é positiva, diante da percepção de que as negociações evoluíram para um ambiente mais técnico e de maior diálogo entre os setores envolvidos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.