ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

08/Jul/2026

Clima e estoques sustentam volatilidade de preços

Segundo a StoneX, os preços futuros do café arábica negociados na Bolsa de Nova York registraram recuperação técnica em junho, mas o mercado deverá permanecer altamente sensível às condições climáticas, ao ritmo de comercialização da safra e ao comportamento dos estoques certificados. O mercado continua reagindo ao fluxo físico da commodity, influenciado pela lentidão nas vendas por parte dos produtores e pela redução dos estoques certificados na ICE Futures US, que atingiram o menor nível dos últimos dois anos, restringindo a disponibilidade imediata de café para entrega. Para o terceiro trimestre, o principal fator de volatilidade continuará sendo o clima. Modelos meteorológicos indicam probabilidade superior a 80% de permanência do fenômeno El Niño, com possibilidade de evolução para forte intensidade no fim do ano. Caso o El Niño permaneça entre fraco e moderado até outubro, a abertura das floradas em Minas Gerais e no Espírito Santo deverá ocorrer de forma regular, favorecendo o potencial produtivo da safra brasileira de 2027/28.

Entretanto, a consolidação de um evento climático de forte intensidade poderá elevar o risco de seca e temperaturas acima da média nas regiões das Matas de Minas (MG) e do Espírito Santo durante as fases de expansão e enchimento dos grãos. O fenômeno tende a favorecer condições mais secas no Sudeste Asiático, aumentando os riscos para a produtividade das lavouras de café no Vietnã e na Indonésia, importantes produtores mundiais da variedade robusta. Para a safra brasileira 2026/27, a projeção de produção é de 75,3 milhões de sacas de 60 Kg, crescimento de 20,8% em relação ao ciclo anterior. Desse total, o café arábica deverá alcançar 50,2 milhões de sacas de 60 Kg, alta anual de 37,5%, enquanto a produção de conilon (robusta) está estimada em 25,1 milhões de sacas de 60 Kg. Com esse desempenho, a StoneX projeta superávit global próximo de 10 milhões de sacas de 60 Kg na temporada 2026/27, cenário que tende a aliviar o aperto na oferta observado ao longo dos últimos dois anos.

No Vietnã, maior produtor mundial de café robusta, a produção está estimada em 32,5 milhões de sacas de 60 Kg. A liberação gradual dos estoques retidos pelos produtores deverá ampliar a disponibilidade de café para exportação no curto prazo. Ao mesmo tempo, o consumo doméstico vietnamita deverá atingir recorde de 5 milhões de sacas na safra 2026/27, impulsionado pela expansão das redes locais de cafeterias. Outros produtores, como Uganda, continuam ampliando sua participação no comércio internacional de café. Apesar do elevado patamar de preços observado nos últimos anos, a demanda mundial por importações permanece aquecida, sem sinais de retração estrutural do consumo. A volatilidade deverá permanecer elevada tanto na Bolsa de Nova York quanto na Bolsa de Londres até que as condições agronômicas da nova safra e os indicadores de torrefação industrial permitam uma avaliação mais precisa do equilíbrio entre oferta e demanda no mercado global. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.