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08/Jul/2026

Arábica: preços em alta com atrasos na colheita

A cotação do café arábica registra alta expressiva nos últimos dias por conta da lentidão da colheita no Brasil e das preocupações climáticas. As recentes chuvas podem limitar a qualidade do café e aumentar as quedas dos grãos, além dos possíveis impactos do El Niño no segundo semestre. O Indicador CEPEA/ESALQ do café arábica tipo 6, bebida dura para melhor, posto em São Paulo, está cotado a R$ 1.787,48 por saca de 60 Kg, alta significativa de 18,05% nos últimos sete dias. Na Bolsa de Nova York, o contrato Setembro/26 do arábica está cotado a 348,95 centavos de dólar por libra-peso, avanço expressivo de 25,61% nos últimos sete dias. A colheita de café no Brasil voltou a avançar neste início de julho, favorecida pelo tempo mais seco.

Ainda assim, o ritmo das atividades segue abaixo do observado em anos anteriores para este período, refletindo os atrasos acumulados ao longo de junho, quando as chuvas, pouco comuns para a época em algumas regiões produtoras, limitaram o avanço dos trabalhos. Com isso, várias regiões produtoras sequer chegaram à metade da área colhida. Nessa mesma época do ano passado, a colheita em muitas regiões já superava os 50%. No Sul de Minas (MG), a colheita do arábica está entre 40% e 50% do total, em média, com os trabalhos avançando de forma cadenciada, ainda que as chuvas tenham prejudicado o andamento no fim de junho. Agentes apontam que algumas lavouras ainda estão na fase final de maturação. No Cerrado Mineiro (MG), o percentual colhido alcança aproximadamente 40% da área.

Assim como no Sul de Minas, as chuvas de junho, incomuns nesta época para a região, atrapalharam a colheita e podem comprometer parte da qualidade do café, especialmente em razão da queda dos frutos e dos grãos que permaneceram no chão. A Zona da Mata (MG) está entre as áreas produtoras de arábica com a colheita mais adiantada, com aproximadamente 50% a 55% da colheita concluída. O estado de São Paulo, parte do Sul de Minas e algumas praças do Cerrado Mineiro podem ser as regiões mais prejudicadas pelas chuvas de junho até o momento. Algumas localidades de São Paulo registraram acumulado de 200 milímetros de chuva no mês, o que retardou os trabalhos, seja pela falta de terreiros, pela impossibilidade de deixar o café secando sob chuva ou pelas restrições às atividades com o solo molhado, especialmente na colheita mecanizada.

Na Mogiana Paulista e na região de Garça, os trabalhos estão próximos de 45%. No Noroeste do Paraná, a colheita está mais avançada, entre 50% e 60% do total, de acordo com colaboradores do Cepea. Como a área cultivada no estado é pequena, os trabalhos tendem a ser concluídos mais rapidamente. Apesar de os trabalhos terem sido retomados nos últimos dias, com o clima mais seco, as preocupações do setor permanecem, especialmente em relação à qualidade dos cafés colhidos e aos impactos do clima, tanto sobre a colheita atual quanto em relação à possível atuação do El Niño nos próximos meses. Esse fenômeno pode favorecer a ocorrência de dias mais quentes nas regiões cafeeiras, elevando novamente o risco de problemas durante a florada e, posteriormente, no enchimento dos grãos da safra 2027/28. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.