13/Jul/2026
A National Coffee Association (NCA) dos Estados Unidos manifestou apoio à manutenção da isenção tarifária para as importações de café e solicitou ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) a inclusão do café solúvel sem aromatizantes na lista de exceções da investigação conduzida no âmbito da Seção 301. A entidade defende que o produto também seja excluído das possíveis sobretaxas aplicadas às importações brasileiras. Durante as consultas realizadas em Washington na semana passada, a associação avaliou positivamente a proposta inicial do governo norte-americano de preservar a maior parte do complexo cafeeiro das medidas tarifárias.
No entanto, destacou que o café solúvel sem aromatizantes permanece como o único item da categoria sujeito à possível aplicação de tarifa adicional de 25%, defendendo sua retirada da lista de produtos passíveis de retaliação comercial. Segundo dados apresentados pela NCA, a cadeia do café movimenta aproximadamente US$ 343 bilhões na economia dos Estados Unidos, responde por 8% do valor gerado pelo segmento de alimentação fora do lar (food service) e sustenta cerca de 2,2 milhões de empregos. O consumo diário da bebida alcança aproximadamente 176 milhões de pessoas no país.
A entidade informou ainda que o café solúvel sem aromatizantes é consumido diariamente por cerca de 30 milhões de adultos norte-americanos e representa insumo relevante para a fabricação de extratos de café, bebidas à base de café filtrado a frio (cold brew) e produtos prontos para consumo, segmento que atende aproximadamente 53 milhões de consumidores. Na avaliação da associação, a imposição de tarifas elevaria custos para a indústria doméstica, reduziria a competitividade e afetaria principalmente consumidores mais sensíveis aos preços. O Brasil permanece como o maior produtor mundial de café e principal fornecedor de café solúvel a granel sem aromatizantes para o mercado norte-americano.
Em 2025, as exportações brasileiras desse produto para os Estados Unidos somaram aproximadamente 15 milhões de quilos, volume equivalente a mais de 30% das importações norte-americanas da categoria na média dos últimos cinco anos. A NCA argumenta que a produção doméstica desse insumo nos Estados Unidos é limitada, uma vez que o processamento e a desidratação do café normalmente são realizados nos países produtores, reduzindo custos logísticos associados ao transporte da água presente no café verde. Dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) indicam que, enquanto o café verde, o café torrado e o café moído permanecem contemplados pelas exceções.
Já o café solúvel sem aromatizantes continua sujeito à possível sobretaxa de 25%, levando o setor exportador a intensificar as negociações. As manifestações das entidades do setor ocorreram na fase final das consultas públicas da investigação conduzida com base na Seção 301. A decisão definitiva do USTR está prevista para 15 de julho. O processo poderá resultar na aplicação de tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros em investigação relacionada ao mercado de etanol, ao desmatamento e à regulação dos serviços de pagamentos eletrônicos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.